«Tutti Fratelli» - Artigo de Opinião do Pe. Octávio Sobrinho Alves | Diocese Bragança-Miranda

Já desde a revolução de 1789

que se fala em fraternidade, alicerçada na igualdade e liberdade.

Daí as ciências empíricas e sociais,

proporem uma sociedade bem diferente,

do absolutismo reinante,

uma sociedade totalmente outra,

onde os pobres ganharam voz.

Abençoada revolução de pensamento!

Mas distorcida dos encantos primeiros

porque endeusou o homem

como centro do mundo e da história.

Estava assim criado o antropocentrismo.

Expulsou Deus do centro.

E deu no que deu…

Relativizou-se Deus

absolutizou-se o homem.

Mas já no século zero do tempo.

Jesus de Nazaré,

o Messias prometido,

ao povo da Aliança,

não através de filosofias,

muito menos de ideologias,

mas com acções concretas

e gestos de amor para com os últimos dos últimos

mas também com pregação clara e destemida

mais forte que as pirâmides de Gizé

e mais deslumbrantes que os salgueirais da Babilónia.

Gritava:

Perante Deus

todos somos iguais:

não há senhor nem servo

nem dono nem escravo.

Todos somos filhos,

todos somos irmãos.

Os autores da revolução oitocentista sintetizaram a sua utopia

em 3 palavras apenas;

Mas hoje já há gente

que quer substituir “fraternidade” por dignidade.

É menos comprometedor…

pode ficar-se apenas no mundo das palavras…

É mais cómodo…

Tem menos implicações

é que fraternidade supõe ver no outro

um irmão igual a mim,

que faz parte de mim,

que sou responsável por ele,

que não o posso deixar para trás,

que tenho que escutar os seus anseios,

distribuir por ele a parte que lhe pertence

da herança deixada

da propriedade privada,

do salário a que tem direito,

de acordo com o seu trabalho

e as suas necessidades.

A encíclica do Papa Francisco

não é apenas retórica,

não é catecismo social dos novos tempos.

É condição

para que o mundo não rebente

da tentação de estar sempre no palco

em redemoinho espiral.

São oito capítulos com 207 números

que nos dizem:

Não podemos ignorar, não podemos calar

a fome do outro

a dor do outro

a enfermidade do outro.

É sobretudo 

um grito de justiça e paz

arrancado do seu coração de pastor.

É Profecia de que é preciso mudar,

mudar de ideias e hábitos e comportamentos,

a que a pandemia já nos obrigou,

mudar de lógica e economia,

mudar de política e acção,

mudar de mentalidade e oração.

Mudar o coração!!

Porque todos somos irmãos!

 

Pe. Sobrinho Alves