«Ungidos e enviados na alegria do Azeite» Homilia da Missa Crismal | Diocese Bragança-Miranda

Missa Crismal 2019

A Missa crismal constitui um lugar decisivo da nossa formação permanente, aquela que permanece, numa atitude constante de aprender a aprender para ser fiel ao único Evangelho, Jesus Cristo.

Assinalamos nesta oração comum os aniversários da ordenação presbiteral e da vida consagrada: 25 anos; 50 anos; 75 anos; ainda os 100 anos de um dos nossos muito estimados antecessores, D. Abílio, que a 8 de junho transladaremos de Ifanes para a Catedral, dia dos 125 anos do nascimento.

1. Crisma – azeite perfumado de Esperança

Jesus começou a missão na liturgia da sinagoga de Nazaré, a sua terra na Galileia. Leu o Profeta Isaías e apresenta-se como o ungido e o enviado para anunciar e proclamar a Boa Nova aos pobres, aos prisioneiros, aos cegos, aos oprimidos... e conclui a leitura dizendo: «hoje, aos vossos ouvidos cumpriu-se esta escritura». O texto de hoje relaciona-se também com o lema do nosso ano litúrgico e pastoral: «o Senhor ungiu os meus olhos» (cf. Jo 11, 1-41).

No Mistério da Luz da eterna Luz vemos a vida mais colorida. Dizer que Jesus é o Cristo, o ungido que nos sagra, quer dizer que Ele é o sentido do meu sacerdócio, da minha consagração, do meu matrimónio, da minha vida…. na comunidade. Ele é a Luz da Luz e não apenas um relâmpago ou um fogo de palha. É Luz permanente, mesmo quando as sombras nos surpreendem, somos sempre iluminados na Luz – Jesus Cristo.

Todavia, a reação do povo evidencia um insucesso pastoral em Nazaré, o que o leva até a dizer: «nenhum profeta é aceite na sua terra natal» e depois «passando por meio deles, seguiu adiante», porque ninguém pode impedir o caminho de Jesus para Jerusalém. Missão e rejeição interligam-se. Para Jesus a fé não é um cálculo de probabilidades; é confiança em Deus sem reservas, sem se, nem mas... Que Jesus abra os nossos olhos e nos dê a humildade.

Todos fomos ungidos no Batismo, alguns já no Crisma e os Sacerdotes fomos ungidos e enviados para o ministério generoso e corajoso do Evangelho. Os padres são marcados como homens da Palavra, do Perdão, da Partilha, da Bondade, da Transparência e da Autenticidade de Deus.

O azeite, o sumo da azeitona da oliveira, onde cai, marca. Santo Agostinho mostra até «a alegria do azeite» que faz brilhar os batizados que vivem de Cristo. De facto, o Salmo 132 refere esta alegria e beleza do azeite, para cantar a fraternidade: «Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos! É como azeite perfumado derramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba, a barba de Aarão, a escorrer até à orla das suas vestes».

Por isso, uma antiga oração do século III reza para a bênção das azeitonas: «Concedei também que não se afaste da vossa doçura este fruto da oliveira, símbolo da abundância que fizestes brotar da árvore, para (dar) a vida àqueles que em Vós esperam» (Tradição Apostólica 6).

2. Jovens na Família dos filhos da Luz

Aos acólitos, aos confirmandos e a todos os jovens que estão aqui hoje, que estiveram na Lectio divina e adorante e que estarão no Dia Diocesano da Juventude a 11 de maio em Vinhais, gostariamos de sublinhar as palavras do Papa Francisco: «Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr mais rápido do que os lentos e temerosos. Correi “atraídos por esse Rosto tão amado, que adoramos na Sagrada Eucaristia e que reconhecemos na carne do irmão sofredor. Que o Espírito Santo vos empurre nesta corrida para a frente. A Igreja precisa do vosso entusiasmo, das vossas intuições, da vossa fé. Fazeis-nos falta! E quando chegardes onde nós ainda não chegámos, tende paciência para esperar por nós”» (CV 299).

Com os jovens na família dos filhos da luz, renascidos pela água e pelo Espírito, anunciamos, celebramos e testemunhamos a alegria e a beleza do azeite, porque: «Cristo, nossa esperança, está vivo e é a mais formosa juventude deste mundo. Tudo aquilo que Ele toca torna-se jovem, faz-se novo, enche-se de vida. Então, as primeiras palavras que quero dirigir a cada um dos jovens cristãos são: Ele vive e quer-te vivo» (Francisco, CV 1) Deus ama-te; Cristo salva-te; Ele vive! (cf. CV 112-129).

3. O ministério da Luz da eterna Luz

É por causa do Mistério da Luz que existem os ministérios e não o contrário. Alguns estão ao serviço de todos para a construção da unidade e da catolicidade da Igreja, numa motivação que dá sentido à vida doada: Jesus Cristo.

Bispos, Presbíteros, Diáconos, Leitores, Acólitos, Pessoas Consagradas, Catequistas, Sacristães, membros dos grupos litúrgicos, Ministros extraordinários da comunhão, Visitadores dos doentes; membros das equipas das Unidades Pastorais, membros das direções das IPSS canónicas, membros dos vários Conselhos  “dispõem a Igreja à sua missão”.

Todavia, não somos prestadores de serviços e nem os fiéis são nossos clientes. Cada um de nós é uma missão! E a nossa missão é a evangelização. Nunca cedamos à mediocridade humana, pastoral, espiritual e missionária. Quem não vive a vocação à santidade, contenta-se pela funcionalidade. O contrário da santidade é a frustração. «O santo é o homem que vive na sua vida a Vida de Deus» (Padre Américo).

Caríssimos irmãos e irmãs, sejamos bons, mesmo que alguns confundam bondade com fraqueza. «Parece que a maldade se está a apoderar do mundo; A maledicência e a malevolência ocupam cada vez maiores espaços e penetram cada vez mais profundamente» (Padre Arrupe). Porquê tanta revolta, frustração, infelicidade, intriga, paranoia e raiva? Porquê tão maus modos? Porquê tanta consciência anestesiada e perversa?

Sejamos fiéis e leais: ao Evangelho, à Igreja, ao retiro anual, à consciência moral; à formação permanente, aos encontros presbiterais, à oração, aos sacramentos. Sejamos bons, fiéis e leais! Aquela fidelidade do coração, pessoal e diocesana, ao renovar as promessas sacerdotais. Prossigamos alegres no martírio da paciência com sentido de amor e de humor! Olhai que há muitas pessoas que se dedicam ao nosso martírio da paciência!

O que é que cada um pode fazer para que o Presbitério seja mais e melhor Presbitério, onde todos somos responsáveis por todos, onde todos servimos a todos como irmãos amigos?! Que posso fazer eu como Presbítero para entusiasmar os jovens para o serviço sacerdotal e outras vocações na Igreja? O que fazer na atual realidade humana, social, geográfica, demográfica, pastoral e eclesial da Diocese, para construirmos uma comunidade de fiéis amadurecida em torno da Catequese, da Liturgia e da Caridade numa vida relacional, evitando a autossuficiência e a autorreferencialidade e a necessidade de uma nova presença da Igreja no território, segundo a eclesiologia de comunhão e de missão?

Muito obrigado a todos, especialmente aos Padres dedicados e homens de Deus e da Igreja, que são para nós a proximidade da beleza, da bondade e da alegria de Cristo, nossa Esperança! Muito gratos rezemos por todos os ministros da Luz para que sejamos felizes e santos na doação inteira do coração, da inteligência e das mãos que abençoam na Paz: «mas sempre com o amor de Deus e na fidelidade absoluta à Igreja a quem servimos humildemente porque a amamos apaixonadamente» (Padre Arrupe).

Com confiança do coração dizemos a Jesus Cristo: «pois em Ti se encontra a fonte da vida e é na tua luz que vemos a luz» (Sl 36,10). Com efeito se Ele não é o centro do nosso coração e da nossa vida, perdemo-nos e não celebramos a Páscoa em Cristo vivo.

+ José Manuel Cordeiro

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Fotografia: Irene Rodrigues/Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais