Homilia de D. Nuno Almeida na Solenidade da Senhora das Graças - 22.08.2025 | Diocese Bragança-Miranda
Solenidade da Virgem Santa Maria, Rainha, “Senhora das Graças”
Catedral de Bragança, 22 de agosto de 2025
Homilia
Saúdo o Sr. D. António Montes, o Sr. Vigário-Geral, todos sacerdotes concelebrantes e os diáconos; saúdo o Senhor Presidente da Câmara Municipal e todas as autoridades; os religiosos e religiosas, os seminaristas e a todos e a cada de vós, queridos irmãos e queridas irmãs!
1.Com alegria, festejamos, hoje, a Padroeira da cidade de Bragança, do Município, da Unidade Pastoral e da nossa Catedral. Ela é a Mãe, Mulher Admirável, Rainha de caridade e de paz. E como é grande, hoje, a sede de paz!
A Senhora das Graças ou da Divina Graça, é desde 1856 a padroeira muito amada da cidade de Bragança, desde 2001 a titular da Catedral e desde 2012 dá nome a esta Unidade Pastoral.
A Virgem Santa Maria é toda vestida de luz, mais brilhante que o sol, e envolve-nos no seu manto de afeto e ternura, como no seio materno. O seu coração é como uma fogueira acesa que arde e alumia, porque revestida da Luz. No coração de Maria, imensamente grande, cabemos todos e cada um de nós na sua singularidade. Esta é a causa da nossa alegria e da nossa esperança.
Temos uma Mãe e Rainha que nos guia pelo caminho do bem e da paz. Na Ladainha, proclamamos Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos que vivem a sua fé…Rainha dos santos, Rainha concebida sem pecado original, Rainha elevada ao Céu, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da família, Rainha da Paz! Mãe e Rainha que nos guia pelo caminho do bem e da paz!
2.No Evangelho proclamado (Lc 1, 26-38), contemplamos a nossa Mãe e Rainha na sua humilde casa de Nazaré! Maria começa a existir, para nós, no Evangelho, como Virgem recolhida na sua própria casa.
Em toda a cena da Anunciação, Maria é a Virgem do acolhimento. Ela acolhe a voz do anjo, acolhe a semente da Palavra e recolhe-se à sombra do Espírito, recebe o Filho de Deus, no seu seio.
É S. Lucas que nos oferece esta página/pérola do Evangelho. O Anjo Gabriel desce das alturas até à pequena aldeia de Nazaré e diz-lhe: “Alegra-te, Maria!”, “Exulta, sê feliz!”, “Abre-te à alegria”, como uma janela que se abre de par em para acolher a luz e o calor do sol.
A segunda palavra de Gabriel é ainda mais extraordinária, nunca antes tinha sido pronunciada ou escrita e revela a razão da alegria: “És cheia de graça!” ou “Amada para sempre”. “Cheia de graça” ou “Cheia de Deus”.
E qual foi a primeira palavra de Maria? Não foi um sim precipitado, mas uma pergunta: “Como é possível?”, “Como pode ser isto?”
Maria está diante de Deus com toda a sua dignidade humana. Apresenta-se com a sua maturidade e com a necessidade de compreensão. Usa a inteligência e só depois decide no seu coração e diz o maior sim da História: livre, responsável, criativo, total, um SIM MAIOR!
No «sim maior» de Maria, Deus desfez o nó cego do nosso pecado, o nó daquele «não», dado pela nossa mais velha humanidade. E, ao poder dar-nos, por Maria, o seu Filho, Deus refez o laço que nos une para sempre a Ele e aos nossos irmãos. Deus abençoou a nossa Terra, quando, pelo «sim» de Maria, lhe enviou o Salvador!
3.Peçamos a Nossa Senhora, Mãe e Rainha, que nos obtenha o dom de uma fé madura, semelhante à sua; uma fé nítida, genuína, humilde e também valente, impregnada de esperança e entusiasmo pelo reino de Deus. Digamos-lhe que queremos ser melhores discípulos-missionários (EG 120), pondo em prática tudo o que o Seu Filho nos disser!
E o primeiro testemunho que é preciso dar é o da alegria de ser quem somos: pessoas de esperança, pessoas da Igreja ao serviço da formação integral, que inclui todas as dimensões da fé: fé professada, celebrada, vivida, rezada, anunciada.
Sem complexos ou receio de críticas, procuremos, como cidadãos, ser evangelizadores fiéis, fiáveis e felizes! Quando tantos mostram cansaço, enfado, azedume, nós, cristãos, “em vez de crescermos na severidade, na intransigência, na indiferença, no sarcasmo, na maledicência, no lamento, caminhemos suavemente no sentido contrário. Cresçamos na simplicidade, na gratidão, no despojamento e na confiança”. (Tolentino Mendonça, Nenhum caminho será longo, p. 152).
A alegria deve ser uma marca tatuada no nosso rosto. Para que assim aconteça, é urgente criar ligames entre os problemas reais e o Evangelho para “afinarmos” assim o nosso pensar, sentir e agir. Tudo isto implica, antes de mais, suscitar sede e encanto pela luz, pela força e pela alegria do Evangelho.
Com a Virgem Santa Maria, Mulher, Mãe e Rainha, Senhora das Graças, ousamos gritar: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização! (EG 83); Não deixemos que nos roubem a esperança! (EG 86); Não deixemos que nos roubem o Evangelho! (EG 97); Não deixemos que nos roubem o entusiasmo missionário! (EG 80); Não deixemos que nos roubem a comunidade! (EG 92); Não deixemos que nos roubem o amor fraterno! (EG 101).
4.Na conclusão da Audiência Geral da passada quarta-feira, 20 de agosto, o Papa Leão XIV lançou um veemente e urgente apelo para este dia, 22 de agosto, com estas palavras: «Maria é Mãe dos que acreditam aqui na terra e é invocada também como Rainha da Paz, enquanto a nossa terra continua a ser ferida por guerras na Terra Santa, na Ucrânia e em muitas outras regiões do mundo. Convido todos os fiéis a viverem o dia 22 de agosto em jejum e oração, suplicando ao Senhor que nos conceda paz e justiça, e que enxugue as lágrimas daqueles que sofrem por causa dos conflitos armados em curso. Maria, Rainha da Paz, interceda para que os povos encontrem o caminho da paz».
Nossa Senhora das Graças!
Temos necessidade do teu olhar de Mãe e Rainha
para voltar a ter a capacidade de ver as pessoas e as coisas
com respeito e reconhecimento,
sem interesses egoístas nem hipocrisias.
Temos necessidade do teu Coração materno,
para amar de maneira gratuita,
sem segundas intenções,
mas procurando o bem do próximo,
com simplicidade e sinceridade,
renunciando às máscaras e aparências.
Temos necessidade das tuas mãos de Mãe e Rainha,
para acariciar com ternura,
para tocar a carne de Jesus na Eucaristia e
nos irmãos pobres, doentes, desprezados,
para levantar quem caiu e sustentar quantos vacilam.
Temos necessidade dos teus pés de Mãe e Rainha,
para ir ao encontro de quem não sabe dar o primeiro passo,
para caminhar pelas veredas de quantos se perderam,
para irmos ao encontro dos que estão na solidão.
Faz com que não cedamos ao desânimo,
mas confiemos sempre no Teu auxílio,
nossa Mãe e Rainha da Paz! Amen!
+Nuno Almeida
Bispo de Bragança-Miranda
Fotografia: IR/SDCS





