Homilia da Peregrinação Nacional de Acólitos - 01.05.2019 | Diocese Bragança-Miranda

Da Missa à Missão - o desafio para os Acólitos

Fátima, 1.5.2019

 

1. Da bênção ao bendizer

Segundo S. Lucas, a missão dos discípulos no momento da Ascensão de Jesus começa com a bênção do Ressuscitado e com o louvor no templo, ou seja, o bendizer a Deus, conforme a conclusão do Evangelho.  O Evangelho de Lucas termina onde começou, no Templo.

Também nós que servimos os mistérios da Páscoa no altar, terminamos onde começamos, para testemunhar em todos os lugares a coragem da fé em Jesus Cristo. A bênção, significa que Deus diz bem de nós. E nós, dizemos bem de Deus? Bendizer, que então significar que dizemos bem de Deus a Ele e uns aos outros e também temos de dizer bem uns dos outros.

Quem verdadeiramente encontrou Cristo e se encontrou com Ele, tem de O anunciar e testemunhar na simplicidade do quotidiano. Esta é a seriedade simples e bela da Liturgia. A Igreja que anuncia a Palavra, que celebra a Liturgia, é a mesma Igreja “em saída”. Podemos, com efeito, dizer que sem Liturgia não há Missão. O dinamismo divino-humano carateriza a Liturgia, festejando a vida quotidiana.

2. Da Missa à Missão

A Igreja vive da Liturgia. Esta é a sua dimensão decisiva, não exclusiva. A Liturgia é a primeira escola da fé e da vida espiritual. Nela, deixamos de falar sobre Deus, para falarmos a Deus e agirmos em Deus.

De facto, prontamente os fiéis compreenderam a influência profunda que a celebração eucarística exercia sobre o seu estilo de vida. Contudo, perguntamos: a Liturgia é vivida como a primeira e fundamental escola e experiência de oração e de missão?

A Liturgia não se ensina, o que não significa que não se possa compreender. Contudo, a Liturgia experimenta-se, porque pertence à ordem da Iniciação Cristã. Queres conhecer a Luz da eterna Luz da Páscoa na Liturgia? Celebra-a.

3. Da Missão à Coragem da Esperança

A liturgia da Vigília Pascal canta eloquentemente a firmeza da Esperança, a graça das graças: «Nesta noite de graça,aceitai, Pai santo, este sacrifício vespertino de louvor,que, na solene oblação deste círio,pelas mãos dos seus ministros Vos apresenta a santa Igreja».

O Papa Francisco na sua mensagem para o 56º dia mundial de oração pelas vocações, convoca-nos para a evangelização e diz-nos: «queridos amigos, nem sempre é fácil discernir a própria vocação e orientar justamente a vida. Por isso, há necessidade dum renovado esforço por parte de toda a Igreja – sacerdotes, religiosos, animadores pastorais, educadores – para que se proporcionem, sobretudo aos jovens, ocasiões de escuta e discernimento. Há necessidade duma pastoral juvenil vocacional que ajude a descobrir o projecto de Deus, especialmente através da oração, meditação da Palavra de Deus, adoração eucarística e direção espiritual».

No centenário da morte de S. Francisco Marto, o “Pastorinho de Fátima” e o patrono dos acólitos portugueses, recordamos o amor que ele tinha à celebração e adoração Eucarísticas e como vivia o ardor missionário no seu coração e testemunhava com coragem e confiança, juntamente com a Jacinta e Lúcia, o que tinham visto e ouvido.

Igualmente o venerável Carlo Acutis, um adolescente italiano de 15 anos, que peregrinou como nós aqui ao santuário de Nossa Senhora de Fátima e partiu para a Páscoa eterna em 2006, viveu discípulo missionário em comunhão e dizia muitas vezes: «A Eucaristia, a minha autoestrada para o céu».

A coragem de arriscar pelo Evangelho nos conduza sempre do serviço na missa ao serviço da missão na Igreja e no mundo, porque a despedida em cada celebração é um envio em missão, para que peregrinos «na fé e na esperança, possamos irradiar no mundo a confiança e a alegria» (OE V/B).

+ José Manuel Cordeiro