Freixo de Espada à Cinta – Vila Manuelina e Missionária | Missionários – Diocese de Bragança-Miranda para o Mundo | Diocese Bragança-Miranda

Comunicação de D. José Cordeiro na abertura da Exposição "Missionários – Diocese de Bragança-Miranda para o Mundo", este domingo, em Freixo de Espada-à-Cinta:

 

Freixo de Espada à Cinta – Vila Manuelina e Missionária

Missionários – Diocese de Bragança-Miranda para o Mundo

27 de outubro de 2019

 

O Ano Missionário extraordinário, proclamado pela nossa Conferencia Episcopal Portuguesa (CEP), que encerrámos juntos em Fátima no domingo passado, dia 20 de outubro de 2019, e agora aqui em Freixo de Espada à Cinta, a nível diocesano, faz-nos ainda mais gratos para reconhecer o dom da vida e da vocação de todos os missionários diocesanos que nos precederam na Missão do Evangelho.

 Todos, tudo e sempre em missão, desafia-nos para uma permanente conversão pastoral e missionária: «A preocupação que tinha Bento XV há quase cem anos, e que o documento conciliar Ad gentes nos recorda há mais de cinquenta anos, permanece plenamente atual. Lembrando as palavras de São João Paulo II, “a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda longe do seu pleno cumprimento. Uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço… A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos há de encontrar também inspiração e apoio no empenho pela missão universal”. Só assim nos constituímos em “estado permanente de missão em todas as regiões da Terra”» (CEP, Nota Pastoral Todos, tudo e sempre em Missão 4).

Por isso, o Papa Francisco recorda-nos: «o coração da missão da Igreja é a oração». O caminho do coração é uma peregrinação orante. Os primeiros cristãos e os Padres da Igreja contemplaram o lado aberto de Cristo na Cruz como o máximo de amor e, portanto, viram no seu coração o nascimento da Igreja e dos sacramentos, especialmente o Batismo e a Eucaristia. A oração é o coração da ação missionária de toda a Igreja e da Igreja toda.

Em 1986, há 33 anos, D. António Rafael tomou a iniciativa com diversas pessoas e instituições para a memória grata dos mais de 50 Missionários nesta vila manuelina com um monumento “glória aos nossos missionários”. Justamente, este monumento evoca a Esperança, «... e não menos certíssima esperança de aumento da pequena Cristandade...» inscrevendo no granito as palavras do grande Luís de Camões: «... dada ao mundo por Deus que todo o manda, para do mundo a Deus dar parte grande» (Lusíadas, canto I).

Saudamos com viva gratidão a Senhora Presidente e o Município de Freixo de Espada à Cinta pela sua visão cultural na arte da memória missionária em terras da seda freixenista. Verdadeiramente, a Unidade Pastoral Senhora dos Montes Ermos, que corresponde ao território do concelho de Freixo de Espada à Cinta, lidera o álbum dos Missionários Transmontanos.

A exposição que agora inauguramos reforça a vontade da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, da Diocese de Bragança-Miranda com a Paróquia de S. Miguel de Freixo de Espada à Cinta, Unidade Pastoral Senhora dos Montes Ermos, em prosseguir com a consolidação do Museu Missionário na igreja de S. Felipe de Néri.

O Arcebispo Santo Bartolomeu dos Mártires, há 455 anos, regressando dos labores do Concílio de Trento em 23 de fevereiro de 1564 entrou na Arquidiocese de Braga por esta vila de Freixo de Espada à Cinta (que pertenceu a Braga até 1881), dirigindo-se ao Vigário Episcopal de Moncorvo escreveu-lhe de Trento dois anos antes, em 12 de fevereiro de 1562: «.... Nunca mais soube se há escola de Latim, para a qual dava uma ajuda, e se em Freixo vai por diante o exercício dos Casos de Consciência. Também me escreva quantos Pregadores pregaram este ano nessa Comarca». Aqui em Freixo, o Arcebispo Santo tinha fundado uma escola de teologia centrada nos “exercícios de casos de consciência”, para a formação dos Sacerdotes.

Todavia, a missão não é só dos bispos, presbíteros, diáconos, consagrados, mas compromete todos os cristãos. A comunidade cristã é o lugar onde o Espírito Santo se manifesta (1Cor 14) com a riqueza dos carismas.

A evangelização é, com efeito, o primeiro e o melhor serviço que a Igreja pode prestar à humanidade inteira. Como lembrou o Papa São Paulo VI: «a Igreja existe para evangelizar». A evangelização é a missão essencial da Igreja e a sua mais profunda identidade. Por isso, a Igreja, nascida da missão de Cristo é enviada à evangelização: «ide, pois, ensinai todas as gentes» (Mt 28,19), existindo «uma ligação profunda entre Cristo, a Igreja e a evangelização» (S. Paulo VI).

Este é o tempo que nos chama a sermos autênticos discípulos missionários em comunhão. Cada um de nós é uma missão: «é algo que não posso arrancar do meu ser se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo» (Papa Francisco, Evangelii Gaudium 273).

A evangelização tem de ser o programa pastoral da Igreja. A posição radical (radix), para construir pontes das origens, do presente para o futuro.

O lema desta exposição do museu dos missionários: Missionários – Diocese de Bragança-Miranda para o mundo, faz ecoar as palavras do notável freixenista Guerra Junqueiro: «mas também acredito, embora isso vos pese, e me julgueis talvez o maior dos ateus, que no universo inteiro há uma só diocese e uma só catedral com um só bispo – Deus» (Guerra Junqueiro).

Boa Missão!

+ José Manuel Cordeiro, Bispo de Bragança-Miranda

 

Fotografia: D. José Cordeiro.