Encontro Arciprestal de Formação para Bandas Filarmónicas | Diocese Bragança-Miranda

Reconhecendo o inestimável papel das Bandas Filarmónicas nas intervenções culturais e na animação litúrgica das festividades das nossas localidades, o Secretariado Diocesano de Liturgia e Espiritualidade propôs-se desenvolver uma acção de formação a nível arciprestal, para uma maior proximidade com a realidade de cada Banda.

Esta formação arrancou com o Arciprestado de Moncorvo, no dia 28 de Outubro e desenvolveu-se na Igreja Matriz de Torre de Moncorvo. Foram duas as Bandas Filarmónicas que aceitaram em cheio este desafio e colaboraram arduamente com o Secretariado para tornar possível esta actividade: a Banda Filarmónica do Felgar, do Concelho de Moncorvo e a Associação Musical Vilarinhense, de Vilarinho da Castanheira, do concelho de Carrazeda de Ansiães. Esteve ainda presente uma participação da Banda Filarmónica de Alfândega da Fé, que, por motivos de restruturação da Direcçao, não pôde atempadamente abraçar em plenitude este desafio, mas não deixou de manifestar uma grande abertura e disponibilidade para a colaboração com a Diocese. Ao todo, estiveram presentes nesta formação cerca de 80 participantes.

O grande objectivo do encontro era fazer uma sensibilização de âmbito litúrgico, e proporcionar a estes músicos uma melhor preparação, de modo que as celebrações por eles animadas tenham a maior dignidade e aproximem os fiéis do verdadeiro culto.

A manhã iniciou com um momento de oração que convidou os participantes a uma sintonia com a Igreja. Depois da palavra de boas vindas, pela Ir. Maria José Oliveira, em nome do Secretariado Diocesano, o Pe. Sérgio Pera fez uma reflexão muito concentrada, sobre o espírito da celebração Eucarística, e as suas diversas partes, o Ano litúrgico e algumas peculiaridades de cada tempo que se reflectem nas partes da celebração e na escolha do reportório, a distinção das festividades e a hierarquia das mesmas.

Depois de um intervalo, aconchegado pelo solícito acolhimento das senhoras da paróquia de Torre de Moncorvo, restabelecidos com acepipes variados, os participantes foram convidados ao trabalho com a preciosa colaboração do Padre José Joaquim Santos Ribeiro, jovem sacerdote da Diocese do Porto que conta já com um percurso muito intenso como músico e compositor de referência a nível nacional. Tendo crescido musicalmente no mundo das Bandas Filarmónicas e na vivência da Liturgia paroquial, o Pe. José Joaquim era o interlocutor ideal para a motivação ao trabalho. Autor dos arranjos que foram propostos como base para este trabalho de formação, burilou com a Banda do Felgar e a de Vilarinho da Castanheira o trabalho já desenvolvido pelos respectivos Maestros a nível local. O mesmo trabalho foi também vocalmente aprimorado com os coros das Bandas e os dois da Paróquia de Torre de Moncorvo que também trabalharam entusiasmadamente.

Todos reconheceram que o tempo foi pouco para este desafio, mas o resultado final encheu os corações de todos os que viveram esta aventura. A Eucaristia foi presidida por D. José Cordeiro, Bispo da Diocese de Bragança-Miranda e concelebrada além do Pároco local, Pe. Sérgio Pera e o formador, Pe. José Joaquim, também pelo Director do Secretariado Diocesano de Liturgia e Espiritualidade, Pe. José Bento e ainda pelo Con. João de Barros.

D. José Cordeiro agradeceu ao SDLE esta iniciativa e a aceitação do desafio por parte das Bandas presentes, às quais felicitou, agradado pelo excelente resultado alcançado em tão pouco tempo. “É uma alegria celebrar com quem canta a missa porque muitas vezes as Bandas realizam o serviço de “cantar na missa” apenas como contratados”, disse referindo-se à importância de celebrar como cristãos. Chamou a atenção para a importância de perseguir um grau de exigência que ruma à beleza porque “nem tudo serve para ajudar a rezar” e os critérios de escolha dos reportórios, a adequação aos momentos e a dedicação para que tudo resulte com harmonia e beleza são os objectivos deste tipo de formação. O prelado exortou as Bandas a não se acomodarem “ao mais fácil, ao imediato”, a colaborarem com o Secretariado Diocesano que procura ajudar as Bandas Filarmónicas na sua missão, não se intrometendo, mas apurando a exigência que devem manter ao serviço das celebrações. O Bispo de Bragança-Miranda considerou o esforço que tem sido feito ao nível da formação dos leigos e do clero, “uma formação para todos e em todas as dimensões” e pediu abertura a todos “e a não cair na indiferença” porque a formação ajuda a extrair “a beleza que se encontra numa vivência autêntica da fé na escuta da Palavra e na vivência consciente da liturgia”.

O Bispo D. José Cordeiro fez ressaltar a beleza da Igreja de Torre de Moncorvo, a maior da Diocese depois da Catedral como um mostruário do legado da fé deixado pelos nossos antepassados, que perseguiam também a via da beleza para chegar a Deus.

No final da celebração os Presidentes da Direcção das Bandas presentes receberam o um certificado de participação que lhes dá credibilidade Diocesana para exercerem funções litúrgicas dentro e fora da Diocese e foram contemplados com um Directório da Música Litúrgica, da Diocese. O encontro culminou com a execução de duas marchas marianas no exterior da Igreja e muita alegria para o novo ciclo que se lhes abre.

Ir. Maria José Oliveira