«É Urgente Pensar!» - Artigo de Opinião Pe. Octávio Sobrinho Alves | Diocese Bragança-Miranda

“Não há machado que corte a raiz ao pensamento”.
Assim cantava Manuel Freire, nos finais de uma ditadura política já apodrecida e moribunda em que era proibido pensar.
Esta geração da década de sessenta que assentou arraiais no Maio de 68 e se sentiu iluminada pelo Concílio Vaticano II foi marcada:
Pela ânsia do descobrir;
Pelo desejo de pensar em liberdade;
Sem dogmas ou doutrinas;
Ou até ideologias;
Talvez utopias...talvez.
A descoberta de um relacionamento sem fronteiras iniciou uma peregrinação cultural sem limites.
Que talvez nem sempre seguiu o caminho mais correto.
Mas compreende-se.
Era o desejo da liberdade.
E a liberdade tem sempre um preço muito alto.
Mas a juventude daquele tempo pensava.
Eu sei que os tempos não se repetem, embora Arnold Toynbee tenha dito (em um “estudo de história)” que as civilizações se repetem cada novecentos anos.
Já Spengler na famosa obra “ O declínio do Ocidente” tinha intuições semelhantes.
Parece entretanto que a realidade não lhes deu razão.
Seja como for, não podemos dizer que a geração de hoje não pensa mas talvez tenha um diferente modo de pensar.
Não se pode falar de anomia como queria Dukheim (Le suicide).
Mas talvez produto final duma sociedade consumista.
A quem nunca faltou nada.
E quando falta alienam-se facilmente noutros modos de vida.
Se é que de vida se pode chamar.
As redes sociais têm aqui a sua quota-parte.
Daí talvez a pergunta:
Pensar para quê?
Mas tão perigosa como esta dormição intelectual
É deixar-se conduzir tão somente pelo virtual.
É um novo mundo…
Sabemos dele já algumas vantagens…
Mas não conhecemos ainda todas as desvantagens…
Sabemos isso sim:
Que o homem é um ser relacional.
Que supõe companhia, amizade, contacto humano, cheiro sensitivo e emocional.
A própria fé supõe ver, ouvir, tocar. (Arcebispo Fisichella)
Há uma linguagem racional.
Mas também há uma linguagem emocional.
Que não é menos importante.
Fala-se agora muito na normalidade.
Mas o que é a normalidade neste mundo confuso que o homem criou?
Alguém disse:
“Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse a nossa interacção humana.
E então o mundo será uma geração de idiotas”.
Eu também temo:
O dia em que o Robot ponha o homem num canto, fora de serviço.
É caso para dizer:
“Tivesses pensado antes”.

Pe. Octávio Sobrinho