I Dia Mundial dos Pobres | Diocese Bragança-Miranda

O Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização preparou um conjunto de subsídios para a semana que antecede o Dia Mundial dos Pobres, que inclui a mensagem do Papa, três Lectio Divina e duas Vigílias de Oração.

A semana de preparação para o Dia Mundial dos Pobres pode ser ocasião propícia para lançar sementes cujos frutos, com o tempo, irão amadurecendo. Ela pode ser o início de um percurso que não pode continuar a ser adiado, que nos permita de responder de uma maneira diferente à pergunta que Deus fez a Caim: «Onde está o teu irmão?» (cf. Gn 4,1-16), cuidando dos nossos irmãos, pessoalmente ou como comunidades eclesiais.

APRESENTAÇÃO

«Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida» (Mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres, n. 3). Esta expressão do Papa Francisco coloca em evidência o seu pensamento, quando instituiu o Dia Mundial dos Pobres. A Igreja não pode ser uma espectadora passiva diante do drama da pobreza, nem os cristãos podem contentar-se com uma participação esporádica e fragmentária para fazer calar a consciência. O momento de uma ação pode ser sinal de uma verdadeira partilha. De facto, a palavra-chave para entrar nesta Mensagem é justamente a de uma partilha, que se torna um estilo de vida. O Papa Francisco quis dar o exemplo paradigmático de São Francisco de Assis, que não se contentou com abraçar o leproso e dar-lhe esmola, mas compreender que a verdadeira caridade consistia em estar junto com ele, estar próximo dele, tendo em conta a dor e o sofrimento da doença, bem como o incómodo da marginalização. A cultura do encontro resolve-se na partilha, em que o outro já não é um estranho, mas é olhado e tratado como um irmão que precisa de mim.

A Mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres gira à volta do lema e do logótipo que tentam exprimir, em linguagem simples e direta, a profundidade do conteúdo que se oferece. O lema ilumina o logótipo e, vice-versa, o logótipo torna concreto e efetivo o ensinamento do lema. «Não amemos com palavras, mas com obras»: a expressão encontra-se na Primeira Carta do Apóstolo João e constitui o prelúdio ao texto culminante, em que, pela primeira e única vez, se revela a própria natureza de Deus. «Deus é amor» (1Jo 4,8) – afirma o evangelista – e isso foi expresso no envio do Filho para a salvação da humanidade. Este ensinamento não faz mais que retomar o que João tinha ensinado no seu Evangelho: «Assim amou Deus o mundo: dando o seu Filho» (Jo 3,16). Neste “dar” exprime-se todo o amor do Pai que não fica com nada para Si, mas tudo dá até ao fim, sem fim. Esta Palavra é o Filho na sua existência concreta, que quis sobretudo revelar o seu amor pelos pobres, elevando-os, como primeiros, à bem-aventurança do seu Reino (Mt 5,3). Deus ama assim: fazendo com que a sua Palavra se torne vida e ação.

O logótipo exprime a dupla relação que se estabelece diante do pobre. Ele está à porta e estende a mão para pedir ajuda. Na porta, todavia, encontra outra pessoa que estende a mão, porque também ela pede ajuda. São duas mãos estendidas: ambas ajudam. Uma provoca a sair, a outra a dar apoio. Dois braços que exprimem a solidariedade e que provocam a não ficar na soleira da porta, mas a ir ao encontro do outro. O pobre pode entrar em casa, quando, de dentro da casa, se compreendeu que a ajuda é a partilha.

Apresentamos este pequeno instrumento como uma simples ajuda, para que os sacerdotes e todos os voluntários possam viver mais intensamente estes dias, em preparação para o Dia Mundial dos Pobres. Tal como o Papa Francisco sugeriu, seja a oração o fundamento deste compromisso concreto, para fazer emergir o valor cristão da nossa solidariedade. A caridade – e quem se empenha diante das múltiplas formas de pobreza – dará voz à fantasia criadora que lhe é própria, para exprimir aos pobres, do melhor modo possível, a atenção, a proximidade e a partilha.

 

D. Rino Fisichella

Presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização

Ficheiros: 
AnexoTamanho
PDF icon Lectio Divina1.03 MB
PDF icon Subsídio Pastoral 1.11 MB