D. António Rafael cumpriu "um sonho" nos 15 anos da dedicação da catedral | Diocese Bragança-Miranda

"Na nossa catedral para sempre nos encontraremos." A frase, de António José Rafael, bispo emérito da diocese de Bragança-Miranda, serve de título a um livro apresentado no dia em que se assinalaram 15 anos da dedicaçãão da catedral de Bragança.

Uma celebração no âmbito da Assembleia Geral do Clero diocesano e que que reuniu, outra vez, o "bispo da catedral" e Mário Ferreira da Silva, o escultor e ceramista responsável pelo grande painel mor.

"Foi um dia especial. É o reviver de um período extraordinário da minha vida, quer em termos pessoais quer, muito particularmente, da minha vida artística. Foi fantástico. Sempre que venho aqui, estamos sempre a descobrir coisas novas. Particularmente, o ter o privilégio de conviver, falar tanto tempo com D. António Rafael, que é uma pessoa fantástica. Sabia o que queria e era de uma força impressionante. Estou convencido que, se não fosse ele, ainda hoje não tínhamos catedral", sublinhou o artista.

Para o bispo emérito este foi, sem dúvida, "um dia especial". " Não esperava que me fizessem isto. Mas sempre esperei por uma coisa que caracteriza este dia, que é um encontro com todos os benfeitores e construtores da catedral. Sempre esperei que houvesse um redator que se lembrasse de fazer o elenco de todos os que participaram na catedral. Foi uma grande luta", lembrou D. António Rafael. 

Henrique Manuel Pereira, investigador da Universidade Católica Portuguesa, foi o responsável pela elaboração do livro apresentado no final da eucaristia que assinalou os 15 anos da dedicação da catedral. "Não é propriamente um historial do processo, embora seja feito numa cronologia rápida. O que temos é, sobretudo, simbolicamente o encontro entre dois homens, um que edificou esta catedral e o outro que deu um rosto e o coração, nas palavras de D. António José Rafael. Temos uma reportagem fotográfica (o livro abre com uma fotografia dos dois e fecha da mesma forma), com um encontro que aconteceu em abril de 2016, quando nem um nem o outro imaginavam que se iriam encontrar. Eu percebi que foi um momento muito emotivo", destacou, considerando que "a história porá D. António Rafael entre os maiores bispos do século XX português".

O prefácio da obra é da autoria de D. José Cordeiro, o bispo da diocese, que considera que "é nosso dever ter este gesto de gratidão". " Hoje, reunindo aqui o bispo da catedral e o ceramista do painel do altar mor damos início a um ciclo de vários encontros com os vários intervenientes. Queremos, de uma forma ou de outra fazer a memória e a gratidão de todos aqueles que foram e são os obreiros e os continuadores da catedral, que nunca está concluída", explicou D. José Coreiro.

Para 25 de março de 2017 está já confirmado um encontro com o arquiteto Luís Vassalo Rosa, autor do projeto da catedral. "Foi o vencedor do concurso público e recentemente doou o seu espólio referente a esta obra à diocese", revelou o bispo. "Para já, está a ser consultado no âmbito de uma tese de doutoramento sobre a catedral. Servirá para que a memória se mantenha viva e manifestarmos a nossa gratidão enquanto as pessoas ainda estão vivas. Temos é que construir, não podemos alimentar nada que seja para destruir a Igreja seja com o que quer que for. Seja com as nossas manias, seja com as nossas teorias, porque está em causa um bem maior, que é o bem comum. E a catedral é a expressão da comunhão, da unidade, numa Igreja que peregrina no território do Nordeste Transmontano", adiantou, ainda, o prelado. Esta celebração decorreu no âmbito da Assembleia Geral do Clero, que reuniu vários sacerdotes da diocese e onde foi apresentado um programa informático, o Kyrios, para haver "uma rede maior de comunicação entre as paróquias, as unidades pastorais, a diocese e todos os seus organismos", disse D. José Cordeiro.  

Texto: Mensageiro de Bragança

Fotografia: BLR/SDCS.