Bênção dos Finalistas do IPB – Catedral, 28.04.2018 | Diocese Bragança-Miranda

Deus ama-te imensa e inteiramente

 

1. Ao ritmo do coração

A segunda leitura desta Liturgia do V Domingo da Páscoa, mostra, por S. João, a ritmo da paz do coração nestes termos: «Meus filhos, não amemos com palavras e com a língua, mas com obras e em verdade. (...); porque, se o nosso coração nos acusar, Deus é maior que o nosso coração e conhece todas as coisas».

Viver a partir do coração e de um coração que escuta. Como diz o E. de Luca: «a capital do corpo humano não é o cérebro, mas o coração, porque de noite o cérebro desliga faz os sonhos que quer, enquanto o coração continua lentamente a bater».

A paz é o grande desejo do coração de cada um. Jesus Cristo é a nossa verdadeira paz. Escreveu o Irmão Alois de Taizé: «Porque razão tantas pessoas sofrem provações – exclusão, violência, fome, doenças, desastres naturais – sem que a suas vozes sejam suficientemente ouvidas? Precisam de apoio – abrigo, alimentação, educação, trabalho, cuidados – mas o que é também vital para elas é a amizade. Ter de aceitar ajuda pode ser humilhante. Uma relação de amizade toca os corações: tanto daqueles que precisam como daqueles que demonstram solidariedade».

Caros jovens, viver ao ritmo do coração é escutar o clamor de quem está ferido, mas olhá-lo olhos nos olhos, coração a coração, faz toda a diferença para com os mais velhos, os doentes, os prisioneiros, os migrantes, revelando a inviolável dignidade da outra pessoa humana numa relação recíproca.

 

2. Deus ama-te imensa e inteiramente

A alegria do Evangelho é experimentada quando nos sabemos imensamente amados por Deus. Deus ama-te imensa e inteiramente.

Uma pessoa vale o que vale o seu coração. Na verdade, a busca duma inteligência aprofundada dos mistérios da fé cristã (no sentido de intus+legere), «aquela inteligência do coração que sabe “ver” primeiro o mistério de Deus e depois é capaz de comunicá-lo aos irmãos». A inteligência da fé em Cristo, que supera a mera ciência conceptual, para ser luz na atual noite cultural.

S. João Bosco educou a uma vida boa do Evangelho para que todos sejamos «bons cristãos e honestos cidadãos».

3. A alegria da Verdade

Sendo missão de toda a Igreja, a Pastoral do Ensino Superior, concretamente a Capelania do Instituto Politécnico de Bragança, é especialmente compromisso e empenho dos Leigos a quem se pede «que estejam presentes, em nome da coragem e da criatividade intelectual, nos lugares privilegiados da cultura, como são o mundo da escola e da universidade, os ambientes da investigação científica e técnica, os lugares da criação artística e da reflexão humanística» (Christifideles Laici, n. 44).

Na verdade, «esta é a alegria que a Igreja, instada por Jesus, deve testemunhar e anunciar, sem interrupção e com uma paixão sempre nova, na sua missão. O povo de Deus é peregrino ao longo das sendas da história, em sincera e solidária companhia com os homens e mulheres de todos os povos e de todas as culturas, para iluminar com a luz do Evangelho o caminho da humanidade rumo à civilização do amor» (Papa Francisco).

A alegria da verdade leva-nos a não nos conformarmos com a realidade que nos circunda e a dar um contributo positivo à sociedade. Pude testemunhar isto mesmo, no passado mês de março em Angola, na cidade do Sumbe, no Instituto Nacional dos Petróleos e no Instituto Superior Politécnico do Kwanza Sul, com os jovens professores formados no Instituto Politécnico de Bragança.

Porque é que muitos jovens deixam de sonhar? Quais são os medos dos jovens de hoje? O que é que falta à sua alegria? Quais são as suas causas? Até quando muitos jovens que concluem um curso superior não têm acesso a um trabalho condigno com a qualificação recebida e os próprios talentos? Até quando o despovoamento nas nossas terras e o abandono dos campos? Quando chegará o apoio ao empreendedorismo local? Quando acontecerá a criação de novas empresas?

A bênção de Deus que se derrama no mistério da água possa dessedentar a vossa sede de felicidade e de paz. Coragem e confiança para construirmos um mundo mais justo e mais fraterno na justiça e na paz.

 

+ José Manuel Cordeiro

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Fotografias: BLR/SDCS.