A Bênção cintilante da Paz | Diocese Bragança-Miranda

Concatedral, 1 de janeiro de 2019

 

1. O brilho da Paz

Na oitava da Natal e primeiro dia do ano 2019, celebramos a solenidade de Santa Maria Mãe de Deus e o 52º dia mundial da paz, aqui na igreja concatedral da Diocese, qual casa da paz dedicada a Santa Maria. Ela é a Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que deu à luz a luz do mundo.

A primeira leitura, do livro dos Números, mostra-nos o brilho da bênção da Paz com palavras que o próprio Senhor disse a Moisés e nos ensina hoje a bem-dizer: «O Senhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te seja favorável. O Senhor volte para ti os seus olhos e te conceda a paz».

Que sóbria dignidade e nobre simplicidade envolve esta bênção!

A paz nasce de um coração amado e perdoado. Em cada celebração manifesta-se o dom da paz e por isso na sua conclusão somos enviados em missão como construtores da paz: «Ide em paz e o Senhor vos acompanhe».

 

2. Paz a esta casa

O Papa Francisco, na mensagem para este dia sublinha que “a boa política está ao serviço da paz” e sauda-nos com a bela expressão: “A paz esteja nesta casa”. Entre nós, esta saudação exprime a autenticidade do acolhimento, a generosidade do coração e a verdade da celebração da bênção anual das famílias nas suas próprias casas por ocasião da visita pascal.

A Igreja incumbe aos párocos e às equipas pastorais o louvável costume de visitar todos os anos as famílias que vivem no território da jurisdição, principalmente durante o Tempo Pascal (cf. Cel. das Bênçãos 69).

Segundo o ritual da celebração das bençãos, os pastores de almas, entre os principais deveres da sua acção pastoral e em obediência ao mandato de Cristo, devem ser solícitos em visitar as famílias cristãs e comunicar-lhes a paz de Cristo, que recomendou aos seus discípulos: «Quando entrardes em alguma casa, dizei primeiro: “Paz a esta casa”» (Lc 10,5). Cristo, a maior bênção do Pai é, por conseguinte, o sujeito de toda a bênção, é aquele que abençoa. Toda a bênção é louvor de Deus e oração para obter os seus dons, porque não é o homem que diz bem (abençoa) de Deus, mas Deus que  diz bem do homem.

Na verdade, além da Liturgia, a vida cristã alimenta-se das variadas formas da piedade popular, enraízadas na cultura de cada povo. Este costume é muito vivido entre nós e é uma ocasião boa para recordar nas famílias cristãs a constante presença de Deus, fonte e origem de toda a bênção; para convidar a viver em conformidade ao Evangelho e para exortar aos pais e aos filhos a promoverem o seu mistério específico de “Igreja doméstica” e de “artesãos da Paz”. Por isso, é muito saudável que se viva em família a benção da mesa, a benção dos filhos...

 

3. A boa política está ao serviço da Paz

A paz dá que fazer a todos e integra o caminho dos bons políticos: «Com efeito, a função e a responsabilidade política constituem um desafio permanente para todos aqueles que recebem o mandato de servir o seu país, proteger as pessoas que habitam nele e trabalhar para criar as condições dum futuro digno e justo. Se for implementada no respeito fundamental pela vida, a liberdade e a dignidade das pessoas, a política pode tornar-se verdadeiramente uma forma eminente de caridade» (Papa Francisco).

É também eloquente o desafio que o Cardeal F. Van Thuân (+ 2002) escreveu em forma de bem-aventuranças: «Bem-aventurado o político que tem uma alta noção e uma profunda consciência do seu papel; Bem-aventurado o político de cuja pessoa irradia a credibilidade; Bem-aventurado o político que trabalha para o bem comum e não para os próprios interesses; Bem-aventurado o político que permanece fielmente coerente; Bem-aventurado o político que realiza a unidade; Bem-aventurado o político que está comprometido na realização duma mudança radical; Bem-aventurado o político que sabe escutar; Bem-aventurado o político que não tem medo».

Como S. Francisco de Assis rezemos: «Senhor fazei de mim um instrumento da Vossa Paz» e como S. Bento, o padroeiro da nossa Diocese, cujo lema é a Paz, construamos a Paz no quotidiano dos nossos dias. Que a nossa colaboração recíproca promova o desenvolvimento na verdade e na caridade e que na nossa terra «os montes tragam a paz ao povo, e as colinas, a justiça» (Sl 72,3).

Cuntinemos deciplos missionairos an comunhon, fazendo l Bien, bien feito, uns als outros i uns cun ls outros ne ls caminos de la justícia i de la paç.

 

+ José, Bispo de Bragança-Miranda

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Fotografia: Bruno Luís Rodrigues/Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais