66ª Peregrinação da Família Salesiana - 20.05.2018 | Diocese Bragança-Miranda

No Senhor que dá a vida, “Todos, Tudo e Sempre em Missão”

Santuário de Fátima, 66ª Peregrinação da Família Salesiana, ‘Com Maria até Jesus, Água viva’ - 20.05.2018

 

1. O mistério do Pentecostes

O mistério do Pentecostes celebra: a descida do Espírito Santo, a plenitude do mistério pascal, a revelação aos povos do mistério escondido, a união da diversidade de línguas na profissão duma só fé, a coragem, a santidade, a criatividade, a liberdade e a esperança.

Hoje concluem-se os cinquenta dias da Páscoa, nos quais a Igreja vive a alegria do mistério pascal como um todo (paixão, morte, ressurreição, ascensão e envio do Espírito). O Pentecostes não é a festa do Espírito Santo, entendido como a Pessoa divina em si mesma, mas a celebração de um acontecimento de salvação, que consiste sobretudo no dom do Espírito Santo. Neste dia, a liturgia das Horas canta: «Hoje completaram-se os dias de Pentecostes. Aleluia. Hoje o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em línguas de fogo e enriqueceu-os com os seus dons. Enviou-os a pregar por todo o mundo e a dar testemunho: “Quem acreditar e for batizado será salvo”. Aleluia».

Também hoje, no dinamismo da Liturgia, a Conferência Episcopal Portuguesa publica uma Nota Pastoral, sob o título “Todos, tudo e sempre em Missão” e anunciamos um Ano Missionário em Portugal: «Acolhendo com alegria a proposta do Papa Francisco de um Mês Missionário Extraordinário para toda a Igreja, nós, Bispos portugueses, propomo-nos ir mais longe e celebraremos esse mês como etapa final de um Ano Missionário em todas as nossas Dioceses, de outubro de 2018 a outubro de 2019».

Este Ano Missionário desafia-nos no sonho de chegar a todos, a tudo e sempre em missão. «Não esqueçamos as novas gerações e o mundo dos jovens, que nos chamam a construir uma pastoral missionária “para” e “a partir” dos jovens. No contacto direto com eles, com as suas esperanças e frustrações, anseios e contradições, tristezas e alegrias, anunciemos as boas notícias da parte de Deus». Não deixemos que nos roubem o Evangelho da Esperança! O que fazes tu pela Missão?

2. Água e Espírito Santo

A água é um dos símbolos mais significativos da ação do Espírito Santo no Baptismo, a porta da fé pascal. A água significa simultaneamente o Espírito Santo e o Baptismo. No Ano em que a Família Salesiana tem como palavra inspiradora, a que Jesus dirigiu à mulher Samaritana: «dá-me de beber» (Jo 4, 7), faz-nos bem contemplar a água viva que brota de Cristo crucificado, a água viva que jorra para a vida eterna.

A mesa da Liturgia é desafiante para os peregrinos na água e no fogo: «Não sabeis que esta mesa está cheia de fogo espiritual, e que assim como as fontes fazem correr com força a água, assim também esta mesa tem uma chama inefável?» (S. João Crisóstomo).

3. Maria, Mãe da Igreja

Se não há Igreja sem Pentecostes, Bento XVI acrescentou: «não há Pentecostes sem a Virgem Maria. Foi assim no início, no Cenáculo, onde os discípulos "eram assíduos e concordes na oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais Maria, a Mãe de Jesus, e de seus irmãos" (cf. At 1, 14). E é sempre assim, em todos os lugares e tempos. Disto também eu fui testemunha (...), em Fátima. O que viveu, de facto, aquela imensa multidão, na esplanada do Santuário, onde todos éramos realmente um só coração e uma só alma? Foi um renovado Pentecostes».

No centro do mistério do Pentecostes está o ministério materno de Maria, Mãe de Jesus Cristo, Mãe dos Apóstolos e Mãe da Igreja. Sim, a Igreja contempla Maria na Ressurreição do Senhor, olhando-a como fonte de luz e de vida. A sua presença no Cenáculo, em firmeza na oração, expressa a sua expectativa pelo dom do Espírito na Igreja nascente.

O Papa Francisco estabeleceu que a memória da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, seja inscrita no Calendário Romano, no dia de amanhã, Segunda-feira depois do Pentecostes e que seja celebrada todos os anos. Aqui em Fátima ou em qualquer lugar não somos órfãos: «Temos Mãe!» Com efeito, «A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para lhe explicar o que se passa connosco. É suficiente sussurrar uma vez e outra: “Avé-Maria...”». (Gaudete et Exsultate 176).

S. João Bosco, cuja imagem nos abraça na colunata deste santuário, olha a Virgem Santa Maria, como a auxiliadora. Também num dia 20 de maio, em 1877, foi a solenidade de Pentecostes e don Bosco com amor ardente e agradável humor disse nas ‘prédicas e palavras de boa-noite’: «se têm alguma graça espiritual a alcançar, rezem a Nossa Senhora desta forma: Maria Auxilium Christianorum, ora pro nobis, e, se não forem atendidos, terei muito gosto em que me informem. E, se eu vier a saber que alguém não tenha alcançado qualquer graça de Maria, escreverei logo uma carta a S. Bernardo a dizer-lhe que se enganou ao dizer: “Lembrai-Vos ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção…».

Boa peregrinação com Maria até Jesus, Água viva, e Senhor da Vida toda, da sua conceção à morte natural! Sou feliz como vivo? O que é que falta à minha sede?

+ José Manuel Cordeiro

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Fotografia: BLR/SDCS