19º aniversário da dedicação da igreja Catedral | Diocese Bragança-Miranda

Domus Ecclesiae sobre os montes

19º aniversário da dedicação da igreja Catedral

Catedral, 7 de outubro de 2020

 

A igreja Catedral é a casa de todos. Um responsório do Ofício de Leituras do Mosteiro de Palaçoulo, composto para o dia de hoje a celebrar na Liturgia monástica das Monjas Trapistas de Santa Maria, Mãe da Igreja e canta assim: «A casa do Senhor está fundada sobre os montes, eleva-se acima de todas as colinas. A ela virão todos os povos, dizendo: Glória a Vós, Senhor».

Neste tempo de pandemia, a nossa catedral tem sido uma autêntica casa de todos e aberta a todos, o grande lugar de oração incessante: na Eucaristia, nos sacramentos, nas Vésperas II do Domingo, no Rosário, na contemplação...

1. Cantar [na Catedral] é próprio de quem ama

É fantástico o início do sermão 336 do grande Santo Agostinho: «Reunimo-nos nesta assembleia para celebrar solenemente a dedicação de uma casa de oração. Esta é, de facto, a casa das nossas orações; mas nós próprios somos casa de Deus. Somos construídos como casa de Deus neste mundo e seremos dedicados solenemente no fim dos tempos. O edifício, ou melhor, a construção faz-se com trabalho; a dedicação realiza-se com alegria. O que acontecia aqui quando estes materiais se erguiam, isso acontece agora quando se reúnem os que acreditam em Cristo. Com efeito, ao aceitarmos a fé, é como se fossem cortadas as madeiras e as pedras nas florestas e nos montes; ao sermos catequizados, batizados, instruídos, é como se fôssemos desbastados, alinhados e aplainados nas mãos dos carpinteiros e artistas. No entanto, esses materiais não constroem a casa do Senhor, senão quando se unem pela caridade. Se estas madeiras e pedras não estivessem organicamente unidas entre si, se não se ligassem pacificamente umas às outras, se, por assim dizer, não se amassem, ninguém entraria aqui. Mas quando se vê numa construção as pedras e madeiras bem ligadas entre si, entra-se com segurança, não se receia o desabamento. Querendo, pois, Cristo Senhor, entrar e habitar em nós, dizia, como se estivesse edificando: Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros. Disse: Dou-vos um mandamento novo. Vós éreis de facto velhos; ainda não formáveis uma casa para Mim; jazíeis nas vossas ruínas. Por conseguinte, para vos levantardes da vetustez das vossas ruínas, amai-vos uns aos outros. Considere, pois, a Vossa Caridade que esta casa está ainda a ser edificada em todo o mundo, como foi predito e prometido. Quando, depois do cativeiro, se edificava o templo, diziam, como se lê num salmo: Cantai ao Senhor um cântico novo; cantai ao Senhor, terra inteira. Ao cântico novo do salmo corresponde o mandamento novo do Senhor. Que há, na verdade, num cântico novo senão um amor novo? Cantar é próprio de quem ama. A voz deste cantor é o fervor do amor santo».

+ José Cordeiro

Fotografia: Bruno Luís Rodrigues/Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais.