Bênção dos Finalistas 2015 | Diocese Bragança-Miranda
Catedral, 2 de maio de 2015
1. A confiança convive com os jovens
A Palavra de Deus que escutamos, no contexto do Tempo da Páscoa e deste dia da bênção dos finalistas dos vários cursos superiores do Instituto Politécnico de Bragança, faz ecoar uma auto-revelação de Jesus, a partir de uma imagem agrícola: «eu sou a verdadeira videira e vós sois os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer» (Jo 15,1; 5). O vinho é o sinal da festa e da bênção de Deus, pois é «fruto da videira e do trabalho do homem». A alegoria da videira é um símbolo da relação e do amor.
Permanecer em Cristo, não é um estado passivo, mas um acontecimento dinâmico de maturidade na relação da fé e do amor com Deus e com os outros. O que acontece aos ramos se não estiverem unidos à cepa? Que acontece aos cristãos se não estiverem unidos a Cristo?
O Irmão Roger, o fundador da Comunidade de Taizé, escreveu a propósito, num livro breve, cujo título é interpelador: não pressentes a felicidade?: «Ele não veio à terra para criar mais uma religião, mas para dar a todos a possibilidade de uma comunhão em Deus. Os seus discípulos são chamados a, humildemente, ser fermento de confiança e de paz na humanidade».
Na comunhão orante dos que querem peregrinar na confiança e unir-se a Cristo numa vida inteiramente simples, partilhámos uma experiência de oração de Taizé realizada pela Capelania do Instituto Politécnico de Bragança.
Taizé é, com efeito, uma pequena aldeia francesa onde vive uma comunidade de irmãos católicos e protestantes que se empenham na unificação das igrejas cristãs, pela paz e justiça social. Roger, de feliz memória, nascido há 100 anos (12.05.1915-16.08.2015), continua a ser um referencial de quem quer ser peregrino da confiança.
A interculturalidade nacional e internacional é hoje uma característica do Instituto Politécnico de Bragança e constitui um desafio à centralidade do ser humano pessoa, à fraternidade e à paz.
A oração pela paz no mundo e a rejeição da guerra em nome de Deus reuniu estudantes de diferentes credos no Espaço Inter-religioso do IPB. Um sinal da comunhão que se vai construindo no seio da comunidade académica, no acolhimento e respeito pela cada vez mais acentuada e enriquecedora diversidade religiosa.
2. Tende a coragem de ser felizes
O Papa Francisco, na sua mensagem para a 30º dia mundial da Juventude escreveu assim: «Alguns de vós sentem ou hão-de sentir a chamada do Senhor para o matrimónio, para formar uma família. Hoje, muitos pensam que esta vocação esteja «fora de moda», mas não é verdade! Precisamente por este motivo, a Comunidade eclesial inteira está a viver um período especial de reflexão sobre a vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo. Além disso, convido-vos a tomar em consideração a chamada à vida consagrada ou ao sacerdócio. Como é belo ver jovens que abraçam a vocação de se darem plenamente a Cristo e ao serviço da sua Igreja! Ponde-vos a pergunta a vós mesmos com ânimo puro e não tenhais medo daquilo que Deus vos pede! A partir do vosso «sim» à chamada do Senhor, tornar-vos-eis novas sementes de esperança na Igreja e na sociedade. Não esqueçais: a vontade de Deus é a nossa felicidade!»
3. Buscar o pão
Ao finalizar um curso no Instituto Politécnico de Bragança e uma presença na cidade de Bragança, o que buscais?
Num famoso sermão, o Padre António Vieira diz: «o que faz o estudante nas universidades, tomando sebentas, revolvendo livros, queimando as pestanas? Busca pão. (…) Em buscar o pão se resolve tudo, e tudo se aplica a o buscar».
Pedimos a Deus a sua bênção para vós, para a vossa família e toda a família humana. Intercedemos ainda para que ilumine as autoridades públicas, (políticas, académicas, civis, económicas), a fim de encontrarem as vias necessárias para a criação de emprego com direitos e para o desenvolvimento integral e solidário. Neste tempo, temos ainda necessidade de pedir a Deus, que nunca deixemos de dizer bem Dele, permanecendo humanos, à sua imagem e semelhança. Ele ama-nos. O seu amor nos torne cada vez mais irmãos.
A todos, o Senhor conceda, por meio da sua Mãe, a Senhoras das Graças, que veneramos nesta cidade e nesta Catedral, a alegria da Esperança num mundo melhor e mais humano, justo e fraterno.
+ José Cordeiro
Fotografia: Comunicações Sociais Diocese.




