Homilia do Padre José Carlos Martins na Festa Solene de S. Bento em Miranda do Douro | Diocese Bragança-Miranda
HOMILIA DA EUCARISTIA FESTIVA DE SÃO BENTO
(Padre José Carlos Ambrósio Martins, em representação do Bispo Diocesano)
Ex.ma. Senhora Presidente Dra. Helena Barril, permita-me que na sua pessoa saúde todas as demais autoridades autárquicas, civis, académicas, militares e para militares presentes;
Caro Padre Manuel Marques, mui zeloso pároco,
Senhor Vigário Judicial, e também pároco deste arciprestado de Miranda do Douro, Padre António Pires,
Estimados consagrados,
Caros irmãos e irmãs em Cristo,
Antes demais trago-vos uma afetuosa saudação de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Dom Nuno Almeida, nosso bispo que por motivos de compromissos desde há muito assumidos, não pode estar presente aqui hoje e que por isso me pediu que o representasse.
Que alegria celebrar o dia de São Bento aqui na nossa querida cidade de Miranda do Douro! É um momento muito especial. Sentimos a presença de Deus e a história viva da nossa fé. Olhamos para o passado para ganhar coragem para o futuro.
A nossa Diocese tem uma história de fé muito bonita. Tudo começou aqui em Miranda do Douro, no dia 22 de maio de 1545. A Igreja nasceu graças aos bens do antigo mosteiro beneditino de Castro de Avelãs. Ao longo dos anos, passámos por mudanças. Em 1770, a diocese dividiu-se, ficando a diocese de Bragança e a diocese de Miranda separadas. Mas, mais tarde, em 1780, as duas partes voltaram a unir-se.
Esta história faz-nos lembrar uma família. As famílias às vezes têm divisões ou desafios. Mas a união e o amor acabam sempre por vencer. Hoje, somos uma grande diocese unida. São Bento é o nosso padroeiro, ele que é um arauto de paz e união. Tenhamo-lo como referência.
Meus irmãos, esta história de separação e reencontro entre Bragança e Miranda não é apenas um facto do passado. É uma lição profética para o nosso presente. Hoje, mais do que nunca, precisamos de fazer um apelo forte e urgente à unidade.
Vivemos num mundo fragmentado, onde o individualismo e o isolamento muitas vezes ganham terreno. Mas nós, como Igreja diocesana, somos chamados a ser o oposto disso. Não existem "nós" e "eles", não há divisões entre terras, paróquias ou gerações. Somos um só corpo em Cristo.
A verdadeira força da nossa Diocese não está nas pedras dos nossos templos, mas sim na comunhão dos nossos corações. Se caminharmos sozinhos, cansamo-nos depressa. Se caminharmos divididos, enfraquecemos o anúncio do Evangelho. Mas se estivermos unidos — pastores, leigos, jovens e idosos —, seremos uma força viva capaz de renovar a esperança nesta nossa amada terra. A unidade é a nossa maior missão!
A Palavra de Deus que escutamos hoje ilumina a nossa vida. Na Primeira Leitura, o profeta tem uma visão grandiosa. Ele vê Deus no seu trono de glória. Isaías sente medo. Ele diz: "Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros". Mas Deus toca-o, purifica-o e envia-o.
Irmãos, São Bento fez o mesmo. Ele procurou o silêncio e a Palavra de Deus. O seu famoso lema é Ora et Labora, ou seja, Reza e Trabalha. São Bento sabia que o nosso coração precisa de estar ligado a Deus. Só depois desse encontro na oração é que conseguimos trabalhar bem e amar o nosso próximo.
No Evangelho, Jesus envia os seus discípulos para a missão. Ele diz-lhes para não terem medo. O Papa Leão XIV faz-nos continuamente este apelo: Não tenhais medo! O Evangelho, como ouvimos, diz que Deus cuida de nós nos momentos mais difíceis. São Bento não teve medo. Ele confiou em Deus. Ele começou por fundar pequenos mosteiros. Ensinou que a vida cristã se faz de coisas simples: amar a Palavra de Deus e servir os irmãos.
A nossa história diocesana e a vida de São Bento ensinam-nos três coisas importantes para o dia de hoje:
1. A importância da escuta: Tal como Isaías e São Bento, precisamos de silêncio para ouvir a voz de Deus. Na nossa vida tão corrida, parar para rezar não é uma perda de tempo, é ganhar força.
2. O valor do trabalho e da partilha: O trabalho santifica o nosso dia. São Bento juntava a oração ao trabalho manual. Que o nosso trabalho seja sempre feito com amor e honestidade, ajudando quem mais precisa na nossa comunidade.
3. A beleza da unidade: A nossa diocese, é um exemplo. Quando estamos unidos, conseguimos anunciar melhor o Evangelho de Jesus.
Irmãos e irmãs, hoje pedimos a intercessão de São Bento. Que ele nos proteja do mal. Que nos ajude a não antepor nada ao amor de Cristo. Que a cruz sagrada seja a nossa luz e nos dê coragem para correr de coração alegre no caminho dos mandamentos de Deus.
Que São Bento abençoe esta cidade de Miranda do Douro e a nossa Diocese de Bragança-Miranda, as nossas famílias e todos os trabalhos das nossas mãos. Ámen.
Fotografia: Unidade Pastoral Santa Maria Maior





