Diocese Bragança-Miranda
Published on Diocese Bragança-Miranda (https://www.diocesebm.pt)

Início > Homilia do Padre José Carlos Martins na Festa Solene de S. Bento em Miranda do Douro

Homilia do Padre José Carlos Martins na Festa Solene de S. Bento em Miranda do Douro [1]Sáb, 11/07/2026 - 20:03

[2]
HOMILIA DA EUCARISTIA FESTIVA DE SÃO BENTO (Padre José Carlos Ambrósio Martins, em representação do Bispo Diocesano) Ex.ma. Senhora Presidente Dra. Helena Barril, permita-me que na sua pessoa saúde todas as demais autoridades autárquicas, civis, académicas, militares e para militares presentes; Caro Padre Manuel Marques, mui zeloso pároco, Senhor Vigário Judicial, e também pároco deste arciprestado de Miranda do Douro, Padre António Pires, Estimados consagrados, Caros irmãos e irmãs em Cristo, Antes demais trago-vos uma afetuosa saudação de Sua Excelência Reverendíssima o Senhor Dom Nuno Almeida, nosso bispo que por motivos de compromissos desde há muito assumidos, não pode estar presente aqui hoje e que por isso me pediu que o representasse. Que alegria celebrar o dia de São Bento aqui na nossa querida cidade de Miranda do Douro! É um momento muito especial. Sentimos a presença de Deus e a história viva da nossa fé. Olhamos para o passado para ganhar coragem para o futuro. A nossa Diocese tem uma história de fé muito bonita. Tudo começou aqui em Miranda do Douro, no dia 22 de maio de 1545. A Igreja nasceu graças aos bens do antigo mosteiro beneditino de Castro de Avelãs. Ao longo dos anos, passámos por mudanças. Em 1770, a diocese dividiu-se, ficando a diocese de Bragança e a diocese de Miranda separadas. Mas, mais tarde, em 1780, as duas partes voltaram a unir-se. Esta história faz-nos lembrar uma família. As famílias às vezes têm divisões ou desafios. Mas a união e o amor acabam sempre por vencer. Hoje, somos uma grande diocese unida. São Bento é o nosso padroeiro, ele que é um arauto de paz e união. Tenhamo-lo como referência. Meus irmãos, esta história de separação e reencontro entre Bragança e Miranda não é apenas um facto do passado. É uma lição profética para o nosso presente. Hoje, mais do que nunca, precisamos de fazer um apelo forte e urgente à unidade. Vivemos num mundo fragmentado, onde o individualismo e o isolamento muitas vezes ganham terreno. Mas nós, como Igreja diocesana, somos chamados a ser o oposto disso. Não existem "nós" e "eles", não há divisões entre terras, paróquias ou gerações. Somos um só corpo em Cristo. A verdadeira força da nossa Diocese não está nas pedras dos nossos templos, mas sim na comunhão dos nossos corações. Se caminharmos sozinhos, cansamo-nos depressa. Se caminharmos divididos, enfraquecemos o anúncio do Evangelho. Mas se estivermos unidos — pastores, leigos, jovens e idosos —, seremos uma força viva capaz de renovar a esperança nesta nossa amada terra. A unidade é a nossa maior missão! A Palavra de Deus que escutamos hoje ilumina a nossa vida. Na Primeira Leitura, o profeta tem uma visão grandiosa. Ele vê Deus no seu trono de glória. Isaías sente medo. Ele diz: "Ai de mim, estou perdido! Sou apenas um homem de lábios impuros". Mas Deus toca-o, purifica-o e envia-o. Irmãos, São Bento fez o mesmo. Ele procurou o silêncio e a Palavra de Deus. O seu famoso lema é Ora et Labora, ou seja, Reza e Trabalha. São Bento sabia que o nosso coração precisa de estar ligado a Deus. Só depois desse encontro na oração é que conseguimos trabalhar bem e amar o nosso próximo. No Evangelho, Jesus envia os seus discípulos para a missão. Ele diz-lhes para não terem medo. O Papa Leão XIV faz-nos continuamente este apelo: Não tenhais medo! O Evangelho, como ouvimos, diz que Deus cuida de nós nos momentos mais difíceis. São Bento não teve medo. Ele confiou em Deus. Ele começou por fundar pequenos mosteiros. Ensinou que a vida cristã se faz de coisas simples: amar a Palavra de Deus e servir os irmãos. A nossa história diocesana e a vida de São Bento ensinam-nos três coisas importantes para o dia de hoje: 1. A importância da escuta: Tal como Isaías e São Bento, precisamos de silêncio para ouvir a voz de Deus. Na nossa vida tão corrida, parar para rezar não é uma perda de tempo, é ganhar força. 2. O valor do trabalho e da partilha: O trabalho santifica o nosso dia. São Bento juntava a oração ao trabalho manual. Que o nosso trabalho seja sempre feito com amor e honestidade, ajudando quem mais precisa na nossa comunidade. 3. A beleza da unidade: A nossa diocese, é um exemplo. Quando estamos unidos, conseguimos anunciar melhor o Evangelho de Jesus. Irmãos e irmãs, hoje pedimos a intercessão de São Bento. Que ele nos proteja do mal. Que nos ajude a não antepor nada ao amor de Cristo. Que a cruz sagrada seja a nossa luz e nos dê coragem para correr de coração alegre no caminho dos mandamentos de Deus. Que São Bento abençoe esta cidade de Miranda do Douro e a nossa Diocese de Bragança-Miranda, as nossas famílias e todos os trabalhos das nossas mãos. Ámen.   Fotografia: Unidade Pastoral Santa Maria Maior

Source URL: https://www.diocesebm.pt/noticia/homilia-do-padre-jose-carlos-martins-na-festa-solene-de-s-bento-em-miranda-do-douro

Ligações
[1] https://www.diocesebm.pt/noticia/homilia-do-padre-jose-carlos-martins-na-festa-solene-de-s-bento-em-miranda-do-douro
[2] https://www.diocesebm.pt/sites/default/files/743699524_2212117612907852_2202606095916261243_n.jpg