«Opção divergente» | Artigo de Opinião do Pe. António Magalhães | Diocese Bragança-Miranda

Artigo no âmbito da iniciativa «ZoomInPortugal» da Agência Ecclesia

O tempo estivo oferece-nos a oportunidade de visitar e conhecer. Todos os municípios - na pluralidade das suas freguesias - facultam acesso a património natural e edificado; em ambos há uma presença espiritual. Pulsar vital da humanidade e do cristianismo, no nosso contexto. Lanço duas propostas para este verão, poderiam ser muitas outras…

A primeira, passar dois dias no Mosteiro de Santa Maria Mãe da Igreja, em Palaçoulo, no concelho de Miranda do Douro. Este é o primeiro mosteiro trapista em Portugal, em edificação, precisamente na Diocese de Bragança-Miranda. A experiência vai envolver a pessoa no seu todo, conduzindo-a a um sentimento interior: de paz, confiança, harmonia e equilíbrio. O hóspede terá tempo para si, e ainda para o contacto com a vida da comunidade, com a qual poderá repartir o pão e a oração. A liturgia é bela. Nesta casa o lavor e o louvor são visíveis. O carisma, o testemunho, a alegria das dez irmãs que aqui habitam conduzirá o hóspede a pensar a vida e a espiritualidade, a sentir uma presença de Deus.

A segunda proposta, exclusiva, dedicar um dia para visitar as igrejas da cidade de Bragança. As diferenças merecem atenção, escondem-se na arquitetura e na arte, escondem lendas e testemunhos humanos… mas no final, ali, acontece o anúncio do mesmo Evangelho e a celebração da mesma fé. Esta visita deve iniciar na catedral. É importante descobrir a singularidade e particularidade desta em relação às outras igrejas. Inaugurada no ano de 2001; a primeira construída no séc. XXI. É dedicada a Nossa Senhora Rainha. O sacrário tem a forma geográfica da diocese; a fonte batismal é distinta, os painéis de Mário Silva e Ilda David escondem uma mensagem. Contemple-se ainda a Pietà do Mestre José Rodrigues acompanhada de um poema de S.ª Emin.ª Cardeal Tolentino Mendonça. Aos domingos, a Eucaristia das 18h, habitualmente presidida por D. José Cordeiro, é antecedida pelo canto da oração de Vésperas.

Concluída esta visita, progrida para a igreja de São João Baptista; inicialmente destinada a convento de irmãs (Clarissas), acabou por funcionar como colégio dos padres da Companhia de Jesus. Em 1766, instalou-se aqui o Seminário Diocesano que efetuou obras de ampliação. Vale a pena visitar além do interior, o claustro e a sacristia pela mensagem comunicada na pintura. Siga para a igreja de São Vicente, revestida de uma belíssima talha; deixe-se maravilhar pela lenda: aqui casaram Dom Pedro I e Dona Inês de Castro. Após esta, avance para a Igreja de Sta. Maria (castelo) onde se destaca o tecto e sobretudo a raríssima imagem de Santa Maria Madalena. É ainda imperativo passar na igreja da Misericórdia - construída em 1539 - por força do retábulo maneirista de grande valor, que apresenta como figura central Nossa Senhora da Misericórdia. Muito próximo está o santuário de Nossa Senhora das Graças, também conhecido como igreja de Sta. Clara. Este convento - datado de 1569 - destinava-se acolher as filhas dos cidadãos de Bragança. Nele venera-se N. Sr.ª das Graças, padroeira da cidade, cuja imagem é de uma beleza ímpar… e diante da qual poderá pedir alguma graça. Havendo tempo, o périplo pode estender-se à igreja dos Santos Mártires, à igreja do Santo Condestável, entre outras.

Pe. António Rodrigues Magalhães, Assistente do Secretariado da Pastoral da Cultura e do Turismo da Diocese de Bragança-Miranda, e reitor do Seminário de S. José, em Bragança.