«O Amor tem sempre pressa» | Homilia Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria | Diocese Bragança-Miranda

O Amor tem sempre pressa

Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria

Santuário Diocesano, Vilas Boas, 15 agosto 2021

 

1. Apressadamente para o encontro

O Amor tem pressa! Aquele Amor que «faz mover o sol e as outras estrelas» (Dante Alighieri). Disto é testemunha qualificada, a Virgem Santa Maria, Senhora da Assunção. A Jovem Maria tem pressa em verificar o sinal recebido pelo Anjo na anunciação e dar a Boa notícia urgente à sua prima, a velha Isabel. As duas mulheres da esperança são mensageiras de vida cheia.

A visitação transfigura o coração para correr apressadamente. Corremos juntos para a mesma meta: evangelizar. Este processo envolve-nos a todos, especialmente aos adolescentes e jovens, no caminho esperançoso da JMJ, Lisboa 2023.

No evangelho escutámos: «Maria levantou-se, foi apressadamente para a montanha...» e «permaneceu com ela cerca de três meses voltou para sua casa». A vida é peregrinação! Levantar-se, ir e voltar são verbos de movimento com determinação e sentido de missão.

Além disso, do coração de Maria brotou o belo cântico do Magnificat com vibrante alegria e ação de graças. A Mulher vestida de sol, «Ela é a aurora e a imagem da Igreja triunfante, ela é sinal de consolação e esperança para o vosso povo peregrino» (Prefácio de hoje).

 

2. Casa de Maria – lugar de encontro(s)

Junto da nossa Mãe comum sentimo-nos bem. Ela protege e acarinha. Sim, se todos lhe rezamos e a experimentamos como mãe, então somos todos irmãos. Uma Igreja serva, é uma casa de portas abertas, que educa, celebra e festeja. Igreja é missão!

Por isso, «como Maria, a Mãe de Jesus, “queremos ser uma Igreja que serve, que sai de casa, que sai dos seus templos, que sai das suas sacristias, para acompanhar a vida, sustentar a esperança, ser sinal de unidade (...) para lançar pontes, abater muros, semear reconciliação”» (Francisco, Fratelli Tutti 276).

O tempo que nos toca viver está a fazer crescer novos pobres e novas pobrezas. Não sejamos indiferentes e continuemos a cultivar o sonho da fraternidade universal e da amizade social para «humanizar a humanidade, praticando a proximidade» (Pedro Casaldáliga). Ajudai-nos, ó Senhora Mãe!

O dom da fraternidade humana universal compromete a uma cultura consciente e constante de fraternização, não no sentido geográfico, mas existencial do Bem comum, da solidariedade e da gratuidade. O desafio maior é para uma cultura do diálogo e do encontro. A vida é a arte do encontro.

 

3. Do alto do cabeço

O santuário diocesano onde nos congregamos neste dia solene, é chamado por muitos peregrinos a Senhora do cabeço ou cabecinho, visível a todos, a quem tradicionalmente pedem: «botai, botai a bossa bênção, botai a bossa bênção a quem bai cá no caminho». Do alto deste monte vê-se ao longe e ao largo!

Pedir a bênção, é uma bela e boa prática que os filhos têm para com o pai ou a mãe. Pedir a bênção significa: reconhecimento, alento, ternura, misericórdia e amor.

A celebração da solenidade da Assunção de Maria, na coincidência do Domingo, evidencia o sinal de esperança para os fiéis que experimentam na Páscoa semanal a festa da fé na comunidade convocada para partir o pão e reparti-lo no quotidiano da história.

Aqui vêm muitos peregrinos. Para aqui se volve o coração de tantas pessoas, especialmente: os doentes, os pobres, os que sofrem, os reclusos, os migrantes, os desempregados, os trabalhadores com contrato instável. Para este santuário volta-se o olhar dos que têm sede e buscam a fonte. Num tempo assinalado pela pandemia, pelas profundas mudanças culturais, pelos enormes desafios sociais, pelo inverno demográfico, precisamos da bênção que renove a esperança no caminho da vida.

A história da mobilidade humana «é uma história perturbadora, pois poucas pessoas abandonam a terra natal por vontade própria. Em geral elas se tornam migrantes, refugiadas ou exiladas constrangidas por forças que não têm como controlar. Fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras. Partem com os pertences que conseguem carregar, avançam como podem a bordo de frágeis embarcações, espremidas em trens e camiões, a pé... viajam sozinhas, com as famílias ou em grupos. Algumas sabem para onde estão indo, confiantes de que as espera uma vida melhor. Outras estão simplesmente em fuga, aliviadas por estarem vivas. Muitas não conseguirão chegar a lugar nenhum». (Sebastião Salgado).

O Amor tem sempre pressa e o testemunho da Virgem Santa Maria impele-nos a ir ao encontro do próximo, do qual não podemos desviar os nossos olhos. Passemos do “eu”, rumando a um “nós” cada vez maior.

+ José Manuel Cordeiro