Jornadas Pastorais do Episcopado | Comunicado | Diocese Bragança-Miranda

Conferência Episcopal Portuguesa

Jornadas Pastorais do Episcopado

[Fátima, 20-21 de junho de 2022]

COMUNICADO

 

 

1. As Jornadas Pastorais do Episcopado decorreram na Casa Nossa Senhora das Dores, no Santuário de Fátima, nos dias 20 e 21 de junho, sobre o tema “Sinodalidade nas Igrejas locais e na missão da Conferência Episcopal”, e contaram com cerca de 100 participantes, nomeadamente o episcopado português e sacerdotes e leigos das várias dioceses, serviços da Conferência Episcopal e representantes da vida consagrada.

 

2. O processo sinodal de escuta em curso, que ocorreu em grupos, formais ou informais, paróquias e dioceses, constitui uma grande interpelação de ordem prática e operativa, de transformação de mentalidades e atitudes, de passagem das palavras aos atos, permitindo o aprofundamento da sinodalidade como o modo de ser Igreja. Trata-se de um ponto sem retorno, antecipando-se o desejo de lhe dar continuidade.

 

3. Os trabalhos iniciaram com uma conferência do professor José Eduardo Borges de Pinho, sobre o tema “Sinodalidade como interpelação às Igrejas locais e à colegialidade episcopal”, e do padre Sérgio Leal, que apresentou as “resistências e oportunidades” do caminho sinodal.

 

4. A partir da apresentação de algumas sínteses da fase diocesana do processo sinodal, que aconteceu no decorrer destas Jornadas, assinalam-se fragilidades, oportunidades e desafios comuns deste processo sinodal.

 

5. A partilha do trabalho realizado nas várias dioceses, apresentado no decorrer das Jornadas, aponta para preocupações comuns: desvalorização da condição batismal e excessivo clericalismo de sacerdotes, consagrados e leigos; dívida de escuta das pessoas mais frágeis e excluídas; maior proximidade em relação a quem é diferente e a pessoas com deficiência; dificuldade em acolher e dialogar, em escutar e estar com os jovens, em promover a corresponsabilidade nos processos de decisão e de escolha de lideranças, em discernir e regulamentar os ministérios ordenados e na definição de estratégias de comunicação que permitam o anúncio do Evangelho na atualidade.

 

6. A consciência das fragilidades que habitamos é essencialmente motivadora para descobrir novos pontos de encontro, acolher todas as ansiedades na certeza da presença do Espírito Santo e gerir expectativas que um movimento sinodal pode gerar.

 

7. Com o propósito de tomar decisões concretas e indispensáveis que nos ajudem a enfrentar a complexidade da época em que vivemos, os participantes nas Jornadas Pastorais do Episcopado propuseram, em trabalhos de grupo, sugestões para o exercício da sinodalidade nas igrejas locais:

- promover continuamente o exercício da escuta, nomeadamente junto dos jovens, retomando, nas comunidades, associações e movimentos, as sínteses e relatórios elaborados, para dar continuidade a este processo sinodal, com reflexos operacionais na definição de planos pastorais;

- criar grupos de acolhimento qualificados, de conhecimento da comunidade, que sejam promotores da amizade e da fraternidade;

- apostar na comunicação, interna e externa, e definir um plano de comunicação;

-      promover a formação, de matriz sinodal, do clero e dos leigos;

- promover o papel da mulher na Igreja;

-      trabalhar em rede e valorizar os órgãos sinodais e de participação paroquiais ou diocesanos já existentes, enquanto espaços de verdadeiro discernimento, avaliando a pertinência de limitação de mandatos, sem burocratizar, e apostando na participação laical e na corresponsabilidade eclesial;

- implementar a obrigatoriedade dos conselhos pastorais;

-      fomentar e alimentar a conversão espiritual e pastoral, animando a mudança de mentalidades de agentes pastorais, tornando a comunidade acessível a todos e partilhando boas práticas entre dioceses vizinhas;

-      valorizar o consenso que caminha para a verdade e que não compromete a unidade.

 

8. Acerca da sinodalidade na Conferência Episcopal, os 10 grupos de trabalho sugerem:

-      melhorar a comunicação, interna e externa, cuidar a linguagem e definir um plano de comunicação para a Igreja Católica em Portugal;

-      dar continuidade ao processo sinodal, divulgando boas práticas existentes, definindo próximos passos e operacionalizando as propostas sinodais desde as bases, as comunidades e paróquias;

-      viver efetivamente a sinodalidade entre as dioceses, entre os serviços da CEP e entre os bispos, criando redes de contactos, promovendo sinergias e propondo linhas orientadoras para todo o país ou mesmo um plano pastoral comum;

- estudar a criação de ministérios laicais, nomeadamente da caridade e do acolhimento;

-      repensar a sustentabilidade económica das estruturas da Igreja Católica em Portugal, promovendo a partilha de soluções, alargando equipas de assessores e cuidando a profissionalização dos serviços;

-      tornar a nomeação de novos bispos mais célere, a acontecer num espírito de sinodalidade e com a participação da comunidade;

-      repensar a formação nos seminários e a formação permanente dos sacerdotes, em chave sinodal;

-      promover uma possível reorganização de serviços e setores da Conferência Episcopal inspirada na reforma da Cúria Romana, recentemente operacionalizada e já em vigor, com maior participação laical.

 

Fátima, 21 de junho de 2022

 

Os participantes nas Jornadas Pastorais do Episcopado