Igreja: Missal Romano com nova tradução para Portugal e cinco países lusófonos | Diocese Bragança-Miranda

O presidente da Comissão Episcopal Liturgia e Espiritualidade (CELE) disse que a nova edição portuguesa do Missal Romano, que vai ter data de 21 de novembro, traz alterações para as conclusões das orações, o ato penitencial (confissão), o nome de Maria, após um trabalho realizado com a Santa Sé.

“A nova tradução recebeu do Missal a tradução dos textos já aprovados pela Congregação na segunda edição de alguns livros litúrgicos: Os textos (sobretudo as rubricas) que constam na Instrução Geral do Missal Romano; os textos bíblicos das antífonas, as citações ou alusões à Sagrada Escritura constantes nas orações”, explicou D. José Cordeiro à Agência ECCLESIA.

A nova edição portuguesa do Missal Romano vai ter a data da solenidade de Cristo-Rei, entrando em vigor a partir do dia 14 de abril de 2022, Quinta-feira Santa.

O presidente da CELE adianta que, entre as novidades, está a nova fórmula do Ato Penitencial (confissão) – ‘por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa’.

“Voltar ao ritmo ternário do reconhecimento da culpa e do bater com a mão no peito não será problemático”, e o esforço de atenção pode ajudar “a quebrar a rotina”, assinala o bispo de Bragança-Miranda.

Segundo D. José Cordeiro, existem alterações na narração da instituição da Ceia, com opção de tradução por ‘abençoar’ a ser substituída pelo verbo ‘bendizer’, uma mudança que se poderá estranhar, “mas faz todo o sentido”.

Nos Ritos de Conclusão, o Missal introduz novas fórmulas para a despedida: o nome de Maria, “no seguimento do diálogo ecuménico”, passa a ser com o tratamento de ‘Virgem Santa Maria’.

O bispo de Bispo de Bragança-Miranda, especialista em Liturgia, adianta também que algumas novidades de conteúdo são, por exemplo, as conclusões das orações, e a adoção de duas formas – longa e breve – “traz maior riqueza e variedade à oração da Igreja”.

Já o diretor do Secretariado Nacional da Liturgia, da CELE, salienta que “as grandes diferenças não estão nas respostas dos fiéis”, mas sublinha que para os padres mudam algumas coisas.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o padre Pedro Ferreira assegurou que “não é preciso fazer nenhum caderno para os fiéis participarem” nas celebrações, como na Itália, onde “mudaram muitas coisas”.

“Gostaríamos que o aparecimento do novo Missal fosse recebido com espírito novo”, acrescentou o responsável sobre os sacerdotes, observando que a questão “é rezar como lá está, que é bastante diferente”.

 

D. José Cordeiro destaca também a terceira edição do Missal em língua portuguesa “adota o novo acordo ortográfico da língua portuguesa entre os Países lusófonos”, respeitando o acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quanto “aos diálogos do Ordinário da Missa e às fórmulas sacramentais”,

Por exemplo, segue a “tríplice fidelidade da tradução dos livros litúrgicos” – ao texto original, à língua portuguesa e à compreensibilidade dos destinatários -, oferece, no Próprio dos santos, “uma breve notícia histórico-litúrgica para guia homilética e didascálica de cada celebração”, e inclui os santos novos dos últimos 30 anos.

O novo Missal mostra também que o canto “não é um mero elemento ornamental”, mas parte necessária e integrante da Liturgia solene, por isso, a música e o texto vão estar juntos.

“Vai ser uma novidade que o missal português explora muito bem, normalmente põem as músicas arrumadas numa secção e os textos correm pela outra”, realçou o padre Pedro Ferreira, observando que estar a presidir à celebração e a procurar a página com a música “é complicado”.

“É uma questão de oração, não é a solenidade só, não é o adorno externo, o ser bonito, é a oração. A música está ao serviço da oração, é uma forma mais perfeita de oração, é rezar duas vezes, como diziam os antigos”, acrescentou o diretor do Secretariado Nacional da Liturgia da CELE.

Esta é a terceira edição do Missal Romano em língua portuguesa para Portugal, após 29 anos da segunda edição de 1992, e vai ser também oficial para Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste, depois dos procedimentos junto de cada Conferência Episcopal e dos organismos competentes da Sé Apostólica.

O presidente da CELE recorda que o “longo itinerário” da Conferência Episcopal Portuguesa, entre 2008 e 2021, no processo da tradução do Missal Romano com os organismos da Sé Apostólica “foi dinâmico, consciente e frutuoso, especialmente”, e, desde 2019, com a “paternidade solícita do Papa Francisco”, e com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos”.

D. José Cordeiro convida os Secretariados Diocesanos de Liturgia e Espiritualidade a colaborar com os outros lugares educativos da fé da Igreja – famílias, paróquias, santuários, institutos de vida consagrada, associações, movimentos, grupos eclesiais.

Texto: Carlos Borges e Octávio Carmo da Agência Ecclesia

Fotografia: Bruno Luís Rodrigues/SDCS.