Homilia do Padre José Carlos Martins na Solenidade de S. Pedro e S. Paulo em Macedo de Cavaleiros | Diocese Bragança-Miranda
Ex.mo Senhor Presidente da C.M.M.C e permita-me que na sua pessoa saúde todas as demais autoridades autárquicas, civis, académicas, militares e para militares presentes;
Caro Pe. Carlos Fonseca, digníssimos Arcipreste,
Srs. Padres Párocos, desta U. Pastoral e párocos de Macedo de Cavaleiros, Estimados, diáconos e consagrados, Caríssimas comunidades vindas das nossas amadas aldeias e de todo o concelho,
Permiti que vos transmita uma afetuosa saudação de SER o Sr. D. Nuno Almeida, nosso bispo, que por motivos de agenda não pode estar presente e que por isso me pediu que o representasse,
Uma reflexão acerca desta solenidade que aqui hoje nos congrega:
Estamos reunidos hoje como uma verdadeira família para celebrar a Solenidade de São Pedro, o pastor que Cristo escolheu para guiar a Sua Igreja. Para nós, em Macedo de Cavaleiros, este dia tem um sabor ainda mais profundo e místico. Pedro é o nosso padroeiro. Ele é a rocha sobre a qual a nossa fé comunitária se apoia, o alicerce firme no meio das tempestades da vida e o farol que inspira a nossa missão nesta nossa abençoada terra transmontana, moldada pela beleza das nossas paisagens e pela nobreza da nossa gente.
As leituras que acabámos de escutar colocam-nos perante duas realidades que tocam diretamente o nosso ser cristão: a libertação e a confissão de fé. Na primeira leitura, vemos Pedro acorrentado na prisão. A situação parecia desesperada e humana e politicamente perdida. Mas a Escritura deixa-nos um detalhe precioso: «a Igreja orava insistentemente por ele a Deus». E o milagre aconteceu. As cadeias caíram e as portas de ferro abriram-se. No Evangelho, Jesus faz a pergunta decisiva que ecoa através dos séculos: «E vós, quem dizeis que eu sou?». É Pedro quem toma a palavra para responder com audácia: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo».
Estes dois momentos deixam uma mensagem claríssima para a nossa realidade paroquial. Pedro não era um super-herói isolado. Ele era a cabeça de um corpo que se apoiava mutuamente através da oração, do afeto e da partilha. Da mesma forma, a fé de Pedro não era um sentimento privado, fechado no seu íntimo. Era um compromisso público com Cristo e com a comunidade.
Olhando para a nossa paróquia e para as várias comunidades do concelho aqui representadas, com as vossas bandeiras, os vossos padroeiros e a vossa identidade única, somos desafiados a passar de uma fé de espectadores para uma fé de corajosos protagonistas. Não podemos ser cristãos que apenas assistem à Missa ao domingo e regressam a casa indiferentes, sem deixar que a graça de Deus transforme o nosso quotidiano. A paróquia não é uma empresa que presta serviços religiosos a clientes. A paróquia é a casa de todos, a família dos filhos de Deus. E numa verdadeira família, todos contam, todos ajudam, todos partilham o mesmo pão e todos sofrem as mesmas dores à mesa.
Por isso, faço hoje um apelo sincero ao coração de cada um de vós: a nossa comunidade precisa que todos se envolvam mais. Precisamos do vosso tempo, dos vossos talentos, do vosso dinamismo. Mas este envolvimento não pode ser vago ou abstrato. Ele precisa de se traduzir em compromissos concretos e ativos.
Precisamos que deis o vosso contributo nos vários órgãos de corresponsabilidade paroquial, como o Conselho Pastoral Paroquial e o Conselho para os Assuntos Económicos. Precisamos de quem assuma a missão de animar e sustentar os nossos movimentos de espiritualidade, a Catequese que educa na fé, a Liturgia que eleva as nossas almas e embeleza as nossas celebrações através dos leitores e acólitos, e a ação sociocaritativa, que cuidam com amor dos mais frágeis, dos doentes e dos esquecidos da nossa cidade e do concelho. Comprometer-se num movimento ou num órgão paroquial não é ocupar um cargo de honra ou um privilégio social; é responder ao chamamento que o próprio Cristo nos faz para sermos pedras vivas e operantes da Sua Igreja.
Neste caminho de renovação e de entrega, dirijo uma palavra muito especial, vibrante e cheia de esperança a vós, queridos jovens. Vós não sois apenas o futuro da nossa Igreja; vós sois o presente vivo de Macedo de Cavaleiros! A nossa comunidade precisa urgentemente da vossa irreverência, da vossa alegria contagiante, da vossa energia indomável e da vossa criatividade. Não tenhais medo de assumir responsabilidades na paróquia. Não fiqueis à margem, a olhar para a Igreja a partir da janela como se fosse uma instituição antiquada que pertence apenas aos mais velhos. A Igreja precisa da vossa voz livre para sacudir a nossa lentidão e o nosso comodismo pastoral. Trazei a vossa força para os nossos coros, para os grupos de jovens, para o voluntariado e para a catequese. Comprometei-vos sem reservas, porque quando um jovem diz "sim" a Cristo na sua comunidade, o mundo ao seu redor ganha uma nova cor e começa a transformar-se.
A presença tão expressiva e bela das comunidades das várias paróquias e aldeias do concelho nesta celebração é o sinal visível daquilo que o Papa Francisco tanto nos pedia: a sinodalidade. Sinodalidade significa, na sua essência mais pura, "caminhar juntos". É escutar o Espírito Santo através da voz do outro. Macedo de Cavaleiros só crescerá verdadeiramente na fé se formos capazes de tecer uma autêntica pastoral de conjunto. Precisamos de uma maior e mais profunda cumplicidade pastoral entre a cidade e as aldeias.
Há uma poesia divina na união das nossas terras: a fé que se vive no coração da cidade é a mesma fé que faz bater o coração das nossas mais pequenas aldeias. Como os fios que tecem uma manta tradicional transmontana, cada aldeia traz a sua cor, a sua história e a sua alma à nossa tapeçaria eclesial. Não pode haver barreiras, distâncias ou rivalidades entre nós; não pode haver "quintais espirituais" onde cada paróquia ou cada aldeia cultiva apenas o seu interesse isolado. O isolamento enfraquece-nos e condena-nos ao esquecimento, mas a união fortalece-nos e renova-nos.
As nossas aldeias, com as suas ricas tradições, a sua fé simples, pura e a sua imensa resiliência, são tesouros indispensáveis e preciosos da nossa Unidade Pastoral. A cidade precisa da vivacidade, da sabedoria e da identidade das aldeias; e as aldeias precisam do apoio, dos recursos e da centralidade da cidade. Esta cumplicidade pastoral exige uma escuta mútua e paciente, uma partilha generosa de recursos materiais e humanos, uma profunda entreajuda entre os leigos e uma colaboração estreita, leal e confiante com os nossos pastores. Se trabalharmos unidos nesta pastoral de conjunto, as cadeias da indiferença, do cansaço e do isolamento demográfico e espiritual cairão por terra, tal como caíram as correntes das mãos de Pedro na prisão.
São Pedro tinha defeitos humanos evidentes. Fraquejou por medo, duvidou no meio do mar e chegou a negar Jesus por três vezes. No entanto, o Senhor não olhou para o seu passado, mas sim para o seu coração, e confiou-lhe as chaves do Reino porque Pedro amava muito e foi capaz de se reerguer com profunda humildade. Nenhum de nós é perfeito, nenhuma das nossas comunidades, movimentos ou órgãos paroquiais é ideal. Mas, se tivermos o mesmo amor apaixonado que Pedro tinha por Jesus, seremos perfeitamente capazes de vencer a tentação do desânimo, do egoísmo e do terrível "sempre se fez assim".
Que o nosso excelso Padroeiro, São Pedro, interceda hoje e sempre por Macedo de Cavaleiros. Que ele inspire os nossos jovens a serem audazes no serviço altruísta, as nossas aldeias e a nossa cidade a caminharem de mãos dadas na verdadeira sinodalidade, e cada um de nós a assumir, com orgulho e fidelidade, o seu lugar nos movimentos e órgãos da nossa amada paróquia. Sejamos uma Igreja viva, de portas escancaradas ao mundo, onde todos se sentem acolhidos e onde cada um assume, com alegria, a sua quota-parte de responsabilidade na construção do Reino de Deus.
S. Pedro, rogai por nós.
Fotografia: Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros





