Entrevista de D. José Cordeiro à "Vatican News" no final da Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos | Diocese Bragança-Miranda

D. José Cordeiro participou na Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, entre 12 e 15 de fevereiro na Cúria Geral dos Jesuítas, em Roma. No final, o Prelado aceitou o convite da delegação portuguesa da "Rádio Vaticano" e falou sobre o tema do encontro. Com a devida vénia transcrevemos o artigo na íntegra:

Dom José Manuel Cordeiro: Liturgia, Evangelho celebrado para depois ser vivido no cotidiano

"Na Capela Sistina, ao contemplar a criação do homem, o dedo de Deus que se aproxima do dedo do homem, mas não tocam os dois dedos. Eu entendo a liturgia como este intervalo para chegar, a tocar o mistério total de Deus, que já começamos a saborear e somos constantemente iniciados", explicou Dom José Manuel.

Entre os participantes da Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, realizada de 12 a 15 de fevereiro na Cúria Geral dos Jesuítas, em Roma,  o bispo de Bragança-Miranda (Portugal), Dom José Manuel Cordeiro. “Formação Litúrgica do Povo de Deus” foi o tema do encontro que reuniu cardeais, arcebispos e bispos dos cinco continentes, além de especialistas e funcionários do Vaticano. Na quinta-feira, os participantes da Plenária foram recebidos pelos Papa Francisco.

O prelado português declarou ao Vatican News ao final dos trabalhos, que “é muito oportuno e necessário este aprofundamento da formação litúrgica, porque a liturgia não é apenas algo a realizar, não é um conjunto de cerimônias, mas é o próprio Jesus Cristo vivido por meio de palavras, e ações, gestos e orações, porque a liturgia é o lugar decisivo do encontro com Jesus Cristo. Não é exclusivo, mas é decisivo”. Ele também falou sobre um detalhe no Juízo Final de Michelangelo na Capela Sistina que o ajuda a compreender o que é a liturgia:

“Eu pessoalmente vou muito mais motivado e renovado, e também encantado com esta experiência que vivemos nesta Plenária, e de modo especial nas próprias celebrações litúrgicas no decorrer dos trabalhos, e o encontro, sobretudo, as linhas guias e a orientação que o Papa Francisco sublinha para os dias de hoje. Uma boa formação litúrgica, tenta a contemplar todos os aspectos da vida cristã, e por isso tem que ser bíblica, histórica, canônica, pastoral, espiritual, de tal forma que seja cada vez mais a fonte da nossa vida cristã, da espiritualidade, da vida segundo o espírito de Cristo ressuscitado. E seja o cume para onde nós caminhamos, sabendo qual é a meta, que é essa comunhão plena com Deus Pai Filho Espírito Santo. Há uma imagem, estando aqui em Roma, que a mim sempre me ajudou a compreender o que é a própria liturgia. Na Capela Sistina, ao contemplar a criação do homem, o dedo de Deus que se aproxima do dedo do home, mas não tocam os dois dedos. Eu entendo a liturgia como este intervalo para chegar, a tocar o mistério total de Deus, que já começamos a saborear e somos constantemente iniciados.  Isto é algo que nos acompanha ao longo de toda a vida, porque é  formação que está concluída e ter que nos levar até o fim. E a liturgia é este Evangelho celebrado, para depois ser vivido no cotidiano. E para sermos discípulos missionários em comunhão, este desafio que nos coloca de modo especial este Pontificado do Papa Francisco a partir da Evangelii Gaudium, creio que a liturgia é um lugar decisivo para a realização disto mesmo, na vida da Igreja hoje, porque sem liturgia, não há missão. E a liturgia, sendo a Palavra de Deus rezada e a fé celebrada, este é o lugar decisivo, não exclusivo, mas decisivo onde tudo se concentra e onde tudo parte. E o desafio para nós, é passar da liturgia à missão. Se quisermos até da Missa à missão, para que na unidade e na comunhão - e nos referimos de modo especial ao rito romano, que é onde nos situamos - que seja a expressão da vitalidade da Igreja.

Texto: Jackson Erpen

Fotografia: Vatican News