D. Nuno Almeida desafia catequistas a serem “cristãos enamorados” e não “cristãos apagados” | Diocese Bragança-Miranda

Bispo de Bragança-Miranda presidiu ao Encontro Diocesano de Catequistas e destacou a importância da espiritualidade, da missão evangelizadora e do acompanhamento das famílias.

D. Nuno Almeida, apelou aos catequistas a que cultivem uma relação profunda com Jesus Cristo e assumam a sua missão evangelizadora com entusiasmo, alertando para o risco de existirem “cristãos apagados” e acomodados, sem entusiasmo pela fé.

Na homilia da Eucaristia do Encontro Diocesano de Catequistas, realizado este sábado no Santuário de Nossa Senhora do Caminho, o também vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) partiu do tema do encontro – «Chamados e enviados, alegria no coração e amor nas mãos» – para recordar que a vocação cristã e a missão catequética têm origem na iniciativa de Deus.

“Somos chamados à vida e chamados pelo Senhor”, afirmou, evocando a vocação do profeta Jeremias.

Reconhecendo as dificuldades e fragilidades sentidas pelos catequistas, sublinhou a confiança que deve marcar a missão cristã: “Não tenhas medo, porque Eu estou contigo”.

Espiritualidade alimentada por “duas fogueiras de amor”

Ao dirigir-se aos catequistas, D. Nuno Almeida destacou a importância de cuidar da espiritualidade própria de quem anuncia a fé.

Segundo explicou, essa espiritualidade é alimentada por “duas fogueiras de amor”. A primeira é a relação pessoal com Jesus Cristo, que deve levar os catequistas a serem “discípulos fiéis, felizes e fiáveis”.

A segunda é a experiência de Jesus presente na comunidade cristã.

“É necessário alimentar também a vida do catequista com outro fogo, o fogo de Jesus entre nós”, desenvolveu, para defender uma catequese cada vez mais marcada pela dimensão comunitária e sinodal.

O prelado recordou que a missão catequética passa por conhecer, viver, celebrar, testemunhar e anunciar a Palavra de Deus, numa tarefa que classificou como “tão bela como exigente”.

Catequistas deixam marcas para toda a vida

D. Nuno Almeida salientou ainda a influência profunda que os catequistas exercem na vida das crianças e adolescentes, recordando a importância daqueles que o acompanharam no seu próprio percurso de fé.

“Eu nunca esqueci os meus catequistas”, afirmou.

Recorrendo a uma experiência recente vivida numa celebração com alunos do Colégio do Coração de Jesus, em Bragança, o bispo destacou a capacidade que as crianças têm de absorver conteúdos, gestos e atitudes quando se sentem felizes e acolhidas.

“Se são felizes num grupo de catequese, absorvem tudo. As palavras, os gestos, a maneira de estar”, observou.

Por isso, alertou para a responsabilidade dos catequistas em transmitir fielmente a Palavra de Deus, sublinhando que esta deixa marcas duradouras não apenas nas crianças e adolescentes, mas também nas suas famílias.

Neste contexto, voltou a defender a importância da renovação catequética centrada na participação das famílias, e destacou o Itinerário para o setor como vital nesta mudança.

Violência doméstica interpela a missão da Igreja

D.Nuno Almeida evocou o assassinato da menina Lara, da Diocese de Bragança-Miranda, vítima de um alegado caso de violência familiar.

“Estamos de luto”, afirmou, revelando ter ficado profundamente comovido ao tomar conhecimento dos contornos da tragédia.

O bispo considerou que situações desta natureza exigem “reflexão e compromisso por parte da sociedade e da Igreja”, e defendeu a necessidade de cultivar “sementes de vida verdadeira” no coração das crianças e dos jovens.

“Há muita coisa hoje que nos inquieta, sobretudo a violência doméstica, que está a crescer de uma forma que não se sabe explicar o que está a acontecer”, lamentou.

Para D. Nuno Almeida, a catequese tem um papel decisivo na “construção de relações humanas mais saudáveis e na transmissão de valores” que contribuam para uma “cultura da vida e da dignidade da pessoa humana”.

Um tempo para reacender a chama da fé

Na parte final da homilia, o bispo de Bragança-Miranda refletiu sobre os desafios da evangelização num contexto marcado pelo mundo digital e pela crescente distância de muitos em relação à experiência religiosa.

“A maior pobreza que existe no nosso mundo hoje é de quem tem para enfrentar as tempestades da vida somente a sabedoria humana”, afirmou, considerando que nem a tecnologia, nem a ciência, nem a razão são suficientes para responder plenamente às grandes questões da existência.

Referindo-se à possibilidade de realização de um sínodo diocesano, cuja proposta será analisada pelo Conselho Presbiteral, D. Nuno Almeida recuperou uma expressão do Papa Francisco para deixar um desafio aos catequistas.

“Hoje, a grande diferença não é entre cristãos progressistas e conservadores. A grande diferença é entre cristãos enamorados e cristãos apagados”, afirmou.

O prelado concluiu apelando a todos para que se deixem “tocar, iluminar, aquecer e guiar pelo Senhor”, de modo a manter viva a chama da fé e da missão evangelizadora.

Pedro Quintans in Educris, 22.06.2026