Comunicação de D. Nuno Almeida na Caminhada pela Vida | Diocese Bragança-Miranda

Compromisso pela Vida: Agradecer, defender e cuidar da Vida

 

Estimados irmãos e irmãs!

Somos “O povo da vida e pela vida”, como tantas vezes repetia com entusiamos São João Paulo II (EV, 78). Por isso, precisamos de voltar sempre à beleza do que nos rodeia, para entendermos a Vida, para a defendermos com toda a alma, para nos empenharmos na construção do mundo que Deus nos entregou; tendo sempre presente que a defesa da Vida passa também, pela defesa da Família, procurando olhar a família com os olhos de Deus. Para tudo isto, são sempre necessários e bem-vindos mais corações, mais braços, mais irmãos e irmãs, mais jovens, mais homens e mulheres de boa vontade na defesa da vida humana!

“A vida humana é um dom recebido a fim de, por sua vez, ser doado” (EV, n.92). Como se pode dar isto a entender às crianças, adolescentes e jovens? Seguramente sem grandes discursos. Por exemplo: as crianças sentem perfeitamente, sem necessidade de muitas palavras, se os pais aceitam a vida como um dom – a sua própria vida, a vida dos filhos que lhes são dados e, num sentido mais lato, a vida de todo o homem e mulher. Não se trata de pairar sobre as nuvens, como se tudo fosse sempre de uma facilidade maravilhosa: a vida aqui na terra é marcada pela cruz. Toda a vida é um presente, o mais belo de todos, mas esse presente é acompanhado, de vez em quando, por pesadas provas. Tendo isso em conta, podemos ser muito realistas sobre as dificuldades da vida, mas continuar a ter um olhar maravilhado. Uma das pessoas que mais me ajudou a entender a vida como um dom foi o meu Bisavô, Tibério, que já muito idoso e frágil, conservava sempre um espírito de louvor agradecido a Deus e a todos. Tinha sempre laranjas a dois rebuçados … para nos dar. Mas dava-nos sobretudo o seu olhar luminoso e de amor! Qual o segredo dos corações maravilhados? O dom de si: aquele que ama, que procura dar a sua vida, que se volta para os outros em vez de ficar centrado na sua pequena e burguesa felicidade egoísta e friorenta, esse descobre a beleza da vida.

É sempre ‘tempo oportuno’ para agradecermos a vida, defendermos a vida (desde a conceção até à partida deste mundo), aprendermos a cuidar da vida e a buscar e a buscar o sentido maior e inalienável da vida.

Não nos é permitido, num momento de encruzilhada e tanta incerteza e violência da história humana, ficar quietos, desanimados, tristes, indiferentes ou calados. Ou ainda simplesmente entretidos e descomprometidos.

Estamos perante a tarefa imensa e decisiva da transmissão, as novas gerações, do amor e da vida verdadeira, vida em plenitude, cujo valor e inviolabilidade não se questiona, nem se adjetiva, nem se circunscreve a um tempo determinado.

O Valor da Vida não se questiona. A história da humanidade assim o confirma. Até mesmo nos momentos mais violentos e mais dramáticos, esteve sempre em causa a defesa da Vida de um alguém, isolado ou coletivo.

O Valor da Vida não se adjetiva. Não há palavras que descrevam o valor da vida de cada um, para cada um. Faltam as palavras, quando queremos definir o valor da Vida.

O Valor da Vida não se circunscreve no tempo. Tem um passado, repleto de vidas que nos trouxeram ao nosso presente, que geram outras vidas, vidas essas que projetam o futuro.

 

+Nuno Almeida

Bispo de Bragança-Miranda

 

Ó Maria,

Aurora do Mundo Novo,

Mãe dos viventes,

confiamos-Vos a causa da vida:

 

Olhai, Mãe,

para o número sem fim de crianças a quem é impedido nascer,

de pobres para quem se torna difícil viver,

de homens e mulheres, vítimas de violência desumana,

de idosos e doentes assassinados

pela indiferença ou por uma suposta compaixão.

 

[Ó Maria, Senhora da Saúde e da misericórdia,

pedimos-Vos pelos profissionais de saúde cristãos,

para que sejam fiéis à vida

na promoção da Saúde,

na prevenção das doenças,

no tratamento dos doentes,

no alívio do sofrimento,

no acompanhamento dos doentes terminais,

no cuidado com todos.

Que os médicos e enfermeiros sejam fiéis à vida

defendendo-a antes e depois do nascimento,

dando-lhe qualidade ao longo dos anos

e acompanhando-a na proximidade da morte.

Que eles se tornem servidores da vida, apóstolos da vida.

 

Ó Maria, Saúde dos enfermos, pedimos-Vos por todos os doentes

para que acreditem na vida integral,

– que não só é física, psicológica e social,

mas é também espiritual e sobrenatural

para que vivam com a qualidade de que são capazes,

para que aceitem os limites da natureza humana

na maravilhosa generosidade de Deus.]

 

Fazei com que todos aqueles que creem no Vosso Filho

saibam anunciar com desassombro e amor,

às pessoas do nosso tempo, o Evangelho da Vida.

Alcançai-lhes a graça de o acolher como um dom sempre novo,

a alegria de o celebrar com gratidão em toda a sua existência

e a coragem para o testemunhar com laboriosa tenacidade,

para construírem, com toda a gente de boa vontade,

a civilização da verdade e do amor

para louvor e glória de Deus Criador e amante da vida.

(JOÃO PAULO II,Carta Encíclica Evangelium Vitae, 25 de março de 1995, 105.)

 

Bragança, 21.03.2026