Bragança: «Igreja é chamada a ser uma resposta à solidão» – Núncio Apostólico em Portugal | Diocese Bragança-Miranda
Na celebração dos 25 anos da dedicação daquela catedral da diocese transmontana
Bragança, 07 out 2026 (Ecclesia) – O Núncio Apostólico em Portugal, D. Andrés Carrascosa, disse hoje, no 25.º aniversário da Dedicação da Catedral de Bragança, que a “Igreja é chamada a ser uma resposta à solidão”.
“Vivemos numa sociedade em que podemos estar ligados digitalmente e, ao mesmo tempo, profundamente sós; ter muitos contatos e poucas relações verdadeiras; falar muito e escutar pouco. Por isso, a Igreja é chamada a ser uma resposta à solidão: uma comunidade onde cada pessoa é reconhecida, acolhida e amada”, disse D. Andrés Carrascosa, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
No dia 7 de outubro de 2026 celebrou-se a dedicação da Catedral de Bragança, mas passados 25 anos não se celebra “simplesmente o aniversário de um edifício”.
A catedral guarda, “de algum modo, a história espiritual desta diocese ao longo destes 25 anos, mas a Palavra de Deus convida hoje a olhar mais fundo” porque a “verdadeira Igreja não é feita, principalmente de pedras: é feita de pessoas. Somos nós as pedras vivas com que Deus constrói a sua Igreja”, realçou o D. Andrés Carrascosa.
Uma catedral é “verdadeiramente bela” quando nela “há homens e mulheres que vivem como irmãos; famílias que rezam e se amam; jovens que encontram uma comunidade que os acolhe e lhes confia uma missão; idosos que se sentem acompanhados e valorizados; pobres que encontram uma casa; pessoas que procuram Deus e encontram uma porta aberta; aqueles que se afastaram e podem regressar sem se sentirem julgados; pessoas que sofrem e encontram consolo”, referiu o presidente da celebração.
Para o Núncio Apostólico, a Igreja “não é uma soma de indivíduos que acreditam cada um por sua conta”; a Igreja é “um povo, um corpo, uma família”, mas as pedras “são diferentes” e “só juntas formam uma construção”, acrescenta.
A Diocese de Bragança-Miranda conhece “bem” o desafio da missão: “Um território extenso, grandes distâncias, comunidades pequenas e dificuldades concretas”, mas é “precisamente aí que uma Igreja missionária se torna ainda mais necessária”.
“Uma Igreja que não desiste de nenhuma aldeia, que não desiste dos idosos, das famílias ou dos jovens, que não desiste daqueles que se afastaram, que vai ao encontro daqueles que talvez nunca entrem pela porta desta catedral”, afirmou na homilia o Núncio Apostólico em Portugal.
O futuro pastoral da diocese “não pode consistir apenas em conservar aquilo que existe” porque é “preciso também gerar vida nova”, aconselhou.
“O lugar é importante, mas não é suficiente. Temos esta bela Catedral, os altares, o sacrário, as imagens e os espaços de oração. Mas Deus não quer apenas templos de pedra. Quer o nosso coração”, completou.
Na celebração, presidida por D. Andrés Carrascosa Coso, Núncio Apostólico que hoje assinala o 22º aniversário da sua ordenação episcopal, concelebraram também D. Nuno Almeida, Bispo da Diocese de Bragança-Miranda; D. António Montes Moreira, Bispo emérito da Diocese de Bragança-Miranda; D. José Cordeiro, Arcebispo Metropolita de Braga; D. Sérgio Dinis, Bispo do Ordinariato Castrense; D. António Augusto Azevedo, Bispo da Diocese de Vila Real e D. José Miguel Pereira, Bispo da Guarda.
CATEDRAL de BRAGANÇA
Inaugurada a 7 de outubro de 2001, a Catedral diocesana é historicamente reconhecida como a primeira catedral portuguesa construída no século XXI.
O sonho da sua edificação remontava a 1768, mas a primeira pedra apenas seria lançada em 1982. Projetada pelo arquiteto Luís Vassalo Rosa, destaca-se pela sua arquitetura contemporânea e pelo desenho pentagonal da nave, disposta em anfiteatro, num espaço que integra traços culturais e materiais característicos da região transmontana. Ao longo destes 25 anos, a Catedral afirmou-se como um importante espaço de celebração da fé, de encontro da comunidade diocesana e de acolhimento de quem visita a cidade de Bragança.
LFS in Agência Ecclesia





