Intervenção da Presidente do Município de Bragança na Eucaristia do 25.º Aniversário da Catedral | Diocese Bragança-Miranda

XXV Aniversário da Catedral de Bragança – 07-10-2026

Celebrar os 25 anos da Catedral de Nossa Senhora Rainha é muito mais do que assinalar o aniversário de um edifício. É celebrar uma história de fé, de perseverança e de visão. É reconhecer uma obra que se tornou parte inseparável da identidade de Bragança, da Diocese e de todo o Nordeste Transmontano.

A Catedral que hoje conhecemos nasceu de um sonho antigo.

Durante gerações, a Diocese sentiu a necessidade de possuir um templo que exprimisse plenamente a sua missão, a sua vitalidade e a sua centralidade espiritual. Esse desejo atravessou décadas, enfrentou dificuldades e encontrou finalmente concretização graças à determinação de muitos homens e mulheres que acreditaram que era possível transformar uma ambição histórica numa realidade duradoura.

Neste percurso, merece especial destaque a figura de D. António José Rafael.

Com visão, coragem e profundo sentido pastoral, compreendeu que uma Catedral não seria apenas uma resposta às necessidades da Diocese. Seria também um símbolo de unidade, um espaço de encontro e um sinal de futuro.

Esta é igualmente uma história de cooperação institucional. A construção da Catedral constituiu um exemplo notável daquilo que se pode alcançar quando diferentes entidades se unem em torno de um objetivo comum. Desde o primeiro momento, a Câmara Municipal de Bragança assumiu um papel ativo neste processo, apoiando o enquadramento urbanístico da obra, a criação das acessibilidades e a disponibilização das infraestruturas necessárias à sua concretização.

Fê-lo porque compreendeu que a Catedral seria muito mais do que um espaço religioso. Seria um elemento estruturante na afirmação da cidade contemporânea, contribuindo para a sua coesão social, para a sua imagem e para a valorização do seu território.

Ao longo destes 25 anos, a Catedral afirmou-se como o coração espiritual da Diocese de Bragança-Miranda. É aqui que se realizam algumas das mais importantes celebrações da vida diocesana. É aqui que milhares de pessoas encontraram acolhimento, esperança e conforto nos momentos mais significativos das suas vidas.

Mas a Catedral é também um lugar de proximidade e de encontro. Num território marcado pela dispersão geográfica das suas comunidades, tornou-se um espaço de referência comum, capaz de unir pessoas de diferentes gerações, sensibilidades e percursos.

Assumiu igualmente um papel muito relevante junto das gerações mais jovens. Bragança é hoje uma cidade aberta ao mundo, enriquecida pela presença de milhares de estudantes provenientes de diferentes regiões de Portugal e de dezenas de países. A Catedral soube acolher essa diversidade e transformá-la numa riqueza, afirmando-se como um espaço de integração, de diálogo e de construção comunitária.

Do ponto de vista arquitetónico, estamos perante uma obra singular. Quando foi concebida, a sua linguagem contemporânea gerou debate. Hoje, porém, é amplamente reconhecida como uma das mais relevantes expressões da arquitetura religiosa portuguesa das últimas décadas.

A utilização do granito, tão ligado à nossa identidade, e a forma como a luz natural percorre e valoriza o espaço interior estabelecem uma ligação harmoniosa entre o edifício, a paisagem e a espiritualidade.

A Catedral demonstra que tradição e modernidade não são realidades opostas. Pelo contrário, podem coexistir e enriquecer-se mutuamente.

Ao longo dos anos, este espaço assumiu também uma importante dimensão cultural. Concertos, exposições e diversas iniciativas permitiram aproximar a fé, a arte e a comunidade, reforçando o papel da Catedral na vida cultural da cidade.

A inauguração do órgão sinfónico, em 2021, constituiu um momento particularmente relevante nesse percurso, projetando Bragança para circuitos nacionais e internacionais da música sacra e valorizando ainda mais este património coletivo.

Também na dimensão turística a Catedral se tem afirmado cada vez mais. São muitos os visitantes que procuram este espaço pela sua arquitetura, pelo seu significado espiritual e pela sua relevância cultural, contribuindo para a promoção de Bragança enquanto destino de património, cultura e autenticidade.

As grandes obras não se medem apenas pela sua dimensão física. Medem-se, sobretudo, pela capacidade de marcar gerações e de ganhar significado ao longo do tempo.

E a Catedral de Nossa Senhora Rainha conseguiu plenamente esse desígnio.

Em apenas vinte e cinco anos tornou-se um dos grandes símbolos de Bragança. Faz parte da nossa paisagem, da nossa memória coletiva e da nossa identidade. É uma presença permanente que nos recorda valores essenciais como a solidariedade, a esperança, a fé e o sentido de comunidade.

Por isso, nesta data tão significativa, quero expressar uma palavra de profunda gratidão à Diocese de Bragança-Miranda, aos Bispos que acompanharam este percurso, aos sacerdotes, aos religiosos e religiosas, aos técnicos, artistas e trabalhadores que contribuíram para a construção deste templo e a todos os fiéis que lhe deram vida ao longo destes anos.

E permitam-me terminar com uma nota muito pessoal.

Esta é a Catedral que sempre escolhi para viver a fé em família. Muito antes de exercer funções autárquicas, era já aqui que encontrava um espaço de recolhimento, serenidade e reflexão. Sinto-me bem na amplitude deste templo, na simplicidade da sua beleza, na convivência com tantos jovens de diferentes nacionalidades que enriquecem a nossa comunidade e, de forma muito especial, nos momentos de profunda reflexão que o Padre Bento nos proporciona.

Talvez seja por isso que esta celebração me toca de forma tão particular. Porque a Catedral não é apenas um edifício marcante da nossa cidade. É também um lugar de encontro, de memória, de esperança e de futuro.

Ao longo destes 25 anos, foi testemunha das alegrias, das preocupações, das celebrações e das emoções de milhares de pessoas.

Acompanhou gerações de brigantinos, acolheu quem sempre aqui viveu e quem escolheu Bragança para estudar, trabalhar ou construir uma nova vida.

Porque cuidar da nossa Catedral é também cuidar da nossa memória, da nossa identidade e do nosso futuro, que este símbolo maior de Bragança continue a unir gerações, a inspirar comunidades e a iluminar o caminho da nossa cidade e da nossa Diocese.

Que Nossa Senhora Rainha continue a proteger esta Catedral, a Diocese de Bragança-Miranda e todos os que aqui encontram fé, esperança e conforto, para que este templo permaneça, por muitas gerações, como sinal vivo da presença de Deus e como expressão maior da alma de Bragança.

Parabéns à Catedral de Nossa Senhora Rainha pelos seus 25 anos.            Muito obrigada.