Intervenções de D. Nuno Almeida na Eucaristia do 25.º Aniversário da Catedral | Diocese Bragança-Miranda

CATEDRAL DE BRAGANÇA-MIRANDA

25º ANIVERSÁRIO

07.10.2026

 

SAUDAÇÃO NA EUCARISTIA

 

Ao Senhor Núncio Apostólico, Mons. Andres Carrascosa, agradeço a amabilidade da sua presença – no dia em que celebra 22 anos de ordenação episcopal - peço que transmita ao Santo Padre as saudações mais cordiais e sinceras de comunhão e de proximidade do bom povo desta diocese de Bragança-Miranda. Queremos oferecer sem reservas, o nosso humilde e decidido contributo para que se realizem os objetivos do Sínodo em curso: um modo de ser igreja mais feliz, mais comunitário, sinodal e missionário.

Ao Senhor Arcebispo Primaz de Braga e Metropolita da Província Eclesiástica e Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Cordeiro; dirijo uma especial saudação de gratidão ao Sr. D. António Montes, pastor emérito incansável. Com o Sr. D. António iniciamos hoje a celebrar os 25 anos da sua ordenação episcopal, que ocorreu a 14 de outubro de 2001; aos Senhores Bispos de Vila Real, D. António Augusto, da Guarda, D. José Miguel e do Ordinariato Castrense, D. Sérgio Dinis, agradecemos a generosa presença e renovamos a vontade para caminhar numa colegialidade efetiva e afetiva.

Saúdo e agradeço a presença da Senhora Presidente da Câmara Municipal de Bragança e respetivo executivo, da Senhora Presidente da Câmara de Miranda do Douro. Saúdo o Presidente da Assembleia Municipal de Bragança, o Senhor Presidente da União de Freguesias de Santa Maria e Meixedo e todos os autarcas presentes.

Saúdo com respeito, cordialidade e com um grande bem hajam pela significativa presença, das autoridades civis, académicas e forças de segurança e de proteção aqui presentes.

Agradeço a frutuosa cooperação e parceria - com todas as autoridades, entidades e instituições - que contribui para o bem comum e para desenvolvimento das pessoas, famílias e instituições.

Quero saudar, com um abraço fraterno de comunhão, os sacerdotes e diáconos, bem como os membros das famílias religiosas que, nestas terras do interior, dão testemunho de uma total consagração a Jesus Cristo. Saúdo os nossos seminaristas do Seminário Interdiocesano e do Seminário na Família.

Desejo saudar com gratidão e estima os cristãos leigos e leigas representantes das Unidades Pastorais e comunidades paroquiais, bem como os que, nos serviços diocesanos, nas paróquias e movimentos eclesiais, colocam ao serviço de todos o próprio tempo e capacidades, na catequese, na liturgia e na caridade. Individualmente ou associados em Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades, que os vossos braços nunca se cansem e o vosso coração continue a abrir-se generosamente à construção de uma Igreja viva animada pelo Espírito do Senhor Ressuscitado.

À Comunicação Social agradeço o trabalho realizado para o bem comum e que leva ao longe e ao largo o que hoje aqui celebramos.

Obrigado aos grupos corais e instrumentais, especialmente ao Coro de Nossa Senhora Rainha e a todos os que prepararam esta celebração, as várias representações arciprestais e comunidades paroquiais.

Recordamos, trazemos à nossa memória e coração o Sr. D. António Rafael, conhecido como o “Bispo da Catedral”

 

Desde há 25 anos, a nossa Catedral é lugar para a celebração da fé, na Eucaristia e demais sacramentos, deixando transparecer a presença de Jesus Ressuscitado, princípio vital da Igreja.

A nossa Catedral, qual “regaço materno”, convida os seus filhos a entrar, enviando-os, no final do encontro, refeitos pelo alimento da caridade, da palavra e do pão, para o mundo, onde devem ser fermento de uma humanidade cristificada.

A nossa Catedral é o lugar para a celebração participada e consciente da fé na Eucaristia e demais sacramentos, deixando transparecer a presença de Jesus Ressuscitado, princípio vital da Igreja. É centro, marca o ritmo e aponta a direção da vida pessoal, familiar e pastoral. É hora de pensarmos e de vivermos a vida pastoral da cidade de Bragança e da diocese de Bragança-Miranda a partir da nossa Catedral.

 

Termino com as belas e significativas as palavras que Pascal Mercier coloca na boca do protagonista do seu famoso romance “Comboio Noturno para Lisboa” editada em português em julho de 2026: “Eu não gostaria de viver num mundo sem catedrais. Preciso da sua beleza e grandeza. Preciso delas para combater a vulgaridade do mundo. Quero olhar para as janelas iluminadas das igrejas e deixar-me cegar pelas cores celestiais. Preciso do brilho. Preciso dele para enfrentar as cores sujas e uniformes. Quero deixar-me envolver pela frieza austera das igrejas. Preciso do seu silêncio imperioso. (…). Quero ouvir o sussurro do órgão, a enchente de sons etéreos. (…). Gosto de pessoas a rezar. Preciso de as ver. (…). Quero ler as palavras poderosas da Bíblia. (…). Um mundo sem estas coisas seria um mundo no qual não queria viver!”

 

AGRADECIMENTOS NO FINAL DA  EUCARISTIA

 

“A Casa de Deus

A casa de Deus está assente no chão

Os seus alicerces mergulham na terra

A casa de Deus está na terra onde os homens estão

Sujeita como os homens à lei da gravidade

Porém como a alma dos homens trespassada

Pelo mistério e a palavra da leveza

 

Os homens a constroem com materiais

Que vão buscar à terra

Pedra vidro metal cimento cal

Com suas mãos e pensamento a constroem

Mãos certeiras de pedreiro

Mãos hábeis de carpinteiro

Mão exacta do pintor

Cálculo do engenheiro

Desenho e cálculo do arquitecto

Com matéria e luz e espaço a constroem

Com atenção e engenho e esforço e paixão a constroem

 

Esta casa é feita de matéria para habitação do espírito

Como o corpo do homem é feito de matéria e manifesta o espírito

 

A casa é construída no tempo

Mas aqui os homens se reúnem em nome do Eterno

Em nome da promessa antiquíssima feita por Deus a Abraão

A Moisés a David e a todos os profetas

Em nome da vida que dada por nós nos é dada

 

É uma casa que se situa na imanência

Atenta à beleza e à diversidade da imanência

Erguida no mundo que nos foi dado

Para nossa habitação nossa invenção nosso conhecimento

Os homens constroem na terra

 

Situada no tempo

Para habitação da eternidade

 

Aqui procuramos pensar reconhecer

Sem máscara ilusão ou disfarce

E procuramos manter nosso espírito atento

Liso como a página em branco

 

Aqui para além da morte da lacuna da perca e do desastre

Celebramos a Páscoa

 

Aqui celebramos a claridade

Porque Deus nos criou para a alegria.”  

(Páscoa de 1990, Sophia de Mello Breyner Andresen – Obra Poética. Lisboa: Ed. Caminho, 2011, 872-873).

 

Não se trata de entregar óscares ou globos de ouro, mas sim de manifestar gratidão de uma forma simples simbólica a quem nos legou esta Catedral:

Lembramos D. José Rafael … iremos rezar por ele e pelos Bispos aqui sepultados.

D. António Montes; D. José Cordeiro; Engo Jorge Nunes, Con. João de Barros;  P. Bento Soares: São como que representantes da multidão de bem-feitores!