[1]Sáb, 23/05/2026 - 11:10
Como habitualmente, em Portugal, celebramos o Dia dos Irmãos, no dia 31 de maio. Esta ocorrência, este ano, pode e deve ser integrado na celebração do VIII centenário da morte de S. Francisco de Assis. Para o efeito o Papa Leão dirigiu uma carta a toda a comunidade franciscana que podemos reconhecer dirigida a toda a Igreja. Aí afirma que ao recordar esta celebração significativa deseja “que a mensagem de paz possa encontrar um eco profundo no hoje da Igreja e da sociedade”. Para que isso possa acontecer ela terá de ser um “dom ativo a ser acolhido e vivido todos os dias”. É um “dom” que não deve ser meramente conservado, mas tem de ser fonte de comportamentos que a gerem.
A fraternidade terá de ser o caminho a percorrer. Só assim a paz vai surgindo nos diversos âmbitos da vida. Ninguém ignora a sua ausência em variadíssimos lugares. A família, no contexto da modernidade, deveria ser o primeiro lugar onde a paz resplandecesse, mas que, infelizmente, não está a acontecer. Em muitos lares respira-se a divisão, a discórdia, as desavenças, as separações, a violência física e moral, os confrontos verbais e não só…. Daí a importância e a urgência de fazer com que a fraternidade volte à família. S. Francisco foi o verdadeiro protagonista da fraternidade universal.
Queremos a paz no mundo? Trabalhemos para que reine em todas as famílias. Só partir daqui os laços de fraternidade entre todos os povos acontecerão sem necessidade de recurso a processos bélicos ou violentos. A fraternidade familiar é consanguínea, ou seja, o mesmo sangue circula nas veias de todos. Mas não é suficiente. Ela é o nó górdio – a solução prática e rápida – para que a paz não seja mera utopia. A lenda grega diz que há uma solução possível para todos os problemas por mais complexos que sejam. A paz parece um nó difícil de desatar. A fraternidade, que não é mera consanguinidade, é a espada que desata e faz resplandecer a harmonia e a alegria de viver juntos.
Este Dia dos Irmãos deveria ser proposta para acrescentar algo mais à consanguinidade. Deixamos, entre as muitas existentes e necessárias, algumas opções. Basta passar da teoria à prática.
Precisamos de, com coragem e serenidade, rever as relações entre os irmãos. Não se contentar em estar juntos, muitas vezes sem sequer se falar.
Urge alterar comportamentos sem vergonha de reconhecer o errado nas minhas palavras e atitudes.
A misericórdia, como expressão do perdão e da reconciliação, tem de ser usada com frequência para não acumular impressões negativas.
Nunca se pode ter medo do diferente. Nascemos dos mesmos pais e tivemos a mesma educação. Só que todos são originais e diferentes e nem sempre os temperamentos e feitios coincidem. Cada um necessita de ser amado ao seu jeito e não segundo o modo idealizado por mim.
“Dia do Irmão”, redescoberta da fraternidade que não está somente na consanguinidade, mas no dom efetivo e afetivo. Não uma vez, mas quotidianamente. Trata-se de rever as relações, reconhecer os erros, usar a misericórdia e o perdão, aceitar e reconhecer o diferente.
Com S. Francisco de Assis podemos experimentar a riqueza de ser e ter irmãos. Para que o dom da paz aconteça, em primeiro lugar nas famílias percorremos o caminho do amor que não tem fórmulas nem se contenta com manuais. É uma arte a aprender todos os dias.

