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Comunicação de D. Nuno Almeida no Encontro nacional dos Assistentes Regionais do Corpo Nacional de Escutas [1]Qua, 11/02/2026 - 22:15

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Comunicação de D. Nuno Almeida, em Fátima, no Encontro nacional dos Assistentes Regionais do Corpo Nacional de Escutas. Encontro convocado pelo Assistente Nacional, Pe. Daniel Nascimento e com a presença do Chefe Nacional, Ivo Faria, 10.02.2026.   O ESCUTISMO CATÓLICO E A EDUCAÇÃO DA FÉ 1.O Escutismo continua a mostrar um grande vigor e dinamismo. Tem conhecido nos últimos anos uma expansão notável e prestado um contributo precioso à educação integral dos jovens. Tornou-se um movimento prestigiado e procurado. Muitos pais desejam integrar os seus filhos no Escutismo, muitos adolescentes, crianças e jovens se interessam e dedicam a este movimento. Mantendo a fidelidade às orientações do seu fundador Baden-Powell, o Escutismo continua a ser uma escola de educação humana e cristã, de modo a formar pessoas felizes, solidárias e participativas no bem comum, social e eclesial. 2.Desde o início, a Igreja reconheceu no Escutismo um instrumento válido para a educação da fé e crescimento da vida cristã. Na verdade, todos os elementos constituintes do método escutista, se devidamente assumidos e exercidos, permitem esta educação, de tal modo que se pode afirmar que o Escutismo, no seu todo, constitui uma pedagogia para a fé. Neste sentido se pronuncia a Conferência Internacional Católica do Escutismo ao afirmar que: os católicos reconhecem na educação fundamentalmente libertadora proposta pelo método escutista um acesso aos valores do Evangelho (...). O Escutismo pode, assim, tornar-se o lugar de uma autêntica revelação de Jesus Cristo. Esta evangelização situa-se no próprio coração do Escutismo (Carta Católica do Escutismo, nº 1 e 2). 3.Na verdade, assim como a fé ilumina e solidifica os valores próprios do Escutismo, assim este oferece um método educativo que permite fazer a experiência das atitudes e dos comportamentos da fé ao longo do crescimento da pessoa, conduzindo, deste modo, a um efetivo processo de maturação cristã. O Escutismo contém, pois, no método educativo, virtualidades evangelizadoras de indiscutível oportunidade pastoral. 4.Jesus Cristo, centro da Fé. O ideal cristão não é apenas um conjunto de verdades e de valores. É, antes de mais, o encontro e a descoberta de uma pessoa viva, Jesus Cristo, fonte e fundamento desses valores: "Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda crestes n'Ele e isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa" (1Ped 1,8-9). Assim, o Escutismo católico encontra em Jesus Cristo uma referência concreta e um alicerce transcendente para o caminho que propõe. Procurem, pois, os assistentes e dirigentes do CNE ajudar os Escutas no conhecimento mais profundo e na adesão mais convicta ao mistério de Jesus Cristo, proporcionando-lhes oportunidades para ouvir a Palavra de Deus, para a oração e para a celebração dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia. Sem este alicerce espiritual o Escutismo ficaria debilitado. 5.Escutismo e Comunidade Cristã. Outra dimensão importante da fé cristã que o Escutismo católico precisa de cultivar nos seus membros é a comunhão eclesial, a consciência de pertença à Igreja. Jesus Cristo continua presente na história e vem ao encontro das pessoas de todos os tempos através da Igreja. A fé cristã recebe-se da Igreja e conduz à Igreja. O cristianismo vive-se em Igreja. Esta deve entender-se como mistério de comunhão dos homens com Deus e dos homens entre si. A comunhão com Deus vive-se e testemunha-se na comunhão eclesial. A fé cristã não é um facto individual, mas comunitário. O Escutismo católico é chamado a realizar e a valorizar esta dimensão comunitária da fé. Num ambiente social marcado pelo individualismo, pelo anonimato e pela massificação, o CNE deve educar os seus membros no sentido de grupo, no espírito de comunidade, vivendo e testemunhando a fraternidade cristã. A comunhão eclesial não termina na fraternidade de cada unidade ou agrupamento, mas realiza-se também pela pertença a uma paróquia. É habitualmente numa paróquia que o Escutismo católico faz a experiência de eclesialidade, de ligação ao Povo de Deus. Na paróquia encontra o espaço físico (a sede), a possibilidade de uma formação cristã de base, a celebração dos sacramentos, o ambiente eclesial e vários serviços comunitários em que pode colaborar. É ainda na paróquia, que pode encontrar os dirigentes responsáveis e bem formados. Procure, deste modo, cada agrupamento desenvolver em todos os seus membros o sentido de pertença e de colaboração empenhada na paróquia orientando-os nomeadamente: a) para a frequência do itinerário completo da catequese que estrutura a formação cristã de base e conduz ao completamento da iniciação cristã; b) para a participação ativa na celebração dominical da Eucaristia, fonte e centro da vida cristã e encontro festivo com Deus e com a comunidade; os agrupamentos do CNE devem considerar a Eucaristia dominical como o polo à volta do qual se ordenam as outras atividades; c)para a presença ativa e responsável nos grandes acontecimentos da família paroquial. As paróquias, por sua vez, esforcem-se por organizar no seu seio e apoiar o Escutismo católico, pois este movimento constitui um fermento de vitalidade e dinamismo eclesial. A educação humana e cristã das novas gerações é a melhor garantia do futuro da paróquia. 6.O CNE, caminho para a Evangelização. Na sua pedagogia o Escutismo contém um dinamismo evangelizador que necessita de ser sempre renovado e valorizado. Indicamos algumas pistas: a)Personalizar e fundamentar a fé. A evangelização deve promover a fé assente em convicções pessoais, capaz de enfrentar um ambiente social descristianizado. Viver hoje como cristão deve tornar-se objeto de uma decisão pessoal e não apenas fruto do meio social. O Escutismo tem possibilidades de conduzir à personalização da fé através da convergência profunda entre as atividades e os valores que propõe e a fé cristã que lhes serve de matriz. Deste modo, conduz a uma experiência pessoal de vida cristã e orienta no desenvolvimento progressivo e integral em ordem à maturidade humana e cristã. b)A evangelização há-de dirigir-se também à cultura “atingindo com a força do evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade” (Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, 19). Também neste campo o Escutismo poderá desempenhar um papel de primeira importância, educando para os valores evangélicos e através deles orientar para o encontro com Aquele que é a fonte e o fundamento desses valores: Jesus Cristo centro de toda a verdadeira evangelização (cfr. EN nº 4, 5 e 6). c)A evangelização acolhe os distantes. O Escutismo tem, possibilidades de acolher e de oferecer o Evangelho aos que se afastaram ou que não conhecem a Cristo, de atingir pessoas que estão fora ou alheadas da vida cristã. Na verdade, responde a preocupações e oferece valores que interessam a muita gente que habitualmente não frequenta a Igreja: a questão ecológica, a educação ética, a responsabilidade pelo bem comum. Através deste diálogo com a cultura e com os valores que as pessoas procuram, o Escutismo pode fazer o primeiro anúncio do Evangelho como Boa Nova que realiza em profundidade estas expectativas humanas. Torna-se, assim, um movimento de fronteira entre a Igreja e o mundo e um meio para a evangelização. d)A evangelização só é possível com a participação interessada de todos os membros da Igreja, cada um segundo a responsabilidade específica e o lugar próprio que tem na Igreja. Ora o Escutismo, pela participação ativa que propõe, pela responsabilidade que desperta, educa para a participação laical, incentiva e prepara os leigos para serem obreiros de evangelização. Na verdade, cria neles uma atitude de serviço a Deus e ao próximo e orienta-os para serem construtores da justiça, da paz e da fraternidade. Torna-os, deste modo, construtores do Reino de Deus no mundo – Reino de verdade, de santidade, de justiça, de amor e de paz. 7.O CNE e a Pastoral Juvenil. Como movimento eclesial deve integrar-se na pastoral de conjunto da Paróquia e da Diocese, em articulação e complementaridade com outros organismos que colaboram na missão da Igreja, sobretudo na evangelização dos jovens. O CNE precisa de ter consciência do seu papel próprio, e, por outro lado, conhecer também e apreciar o contributo específico de outros organismos. A Igreja é um corpo animado pelo Espírito Santo que lhe concede carismas variados e desperta atividades diferentes. Esta variedade de carismas e operações encontra a sua unidade e globalidade na pastoral diocesana. É na Diocese, de facto, que a Igreja se realiza na plenitude das suas dimensões. Os frutos do CNE dependem também da conjugação com outras estruturas educativas. Antes de mais, a família, primeira escola de virtudes sociais e cristãs, que é chamada a prestar a este movimento uma colaboração ativa. Depois, a paróquia, que além de reconhecer e apoiar o movimento, pode oferecer um serviço de educação da fé que proporcione uma formação cristã de base a todos os membros do Escutismo. Também a escola pode orientar os jovens na estima e no apreço por este movimento que complementa a educação escolar. Deste modo, os frutos do CNE reclamam a ação conjugada de todas as instâncias empenhadas na educação dos mais novos. O CNE é um movimento que aponta para o futuro. Transmite, na verdade, às novas gerações um ideal humano e cristão que promete uma sociedade mais fraterna e uma Igreja mais viva. Pelos valores que oferece, pela pedagogia que pratica, pelo interesse que desperta nos jovens, o Escutismo católico português, em comunhão eclesial, apresenta-se em posição privilegiada para corresponder às exigências de uma pastoral da juventude. 8.Os Dirigentes, Educadores e Evangelizadores. A capacidade de formação e de evangelização do CNE depende, de maneira preponderante, dos dirigentes ou animadores do movimento. São eles que dão forma concreta à pedagogia do Escutismo católico e exercem uma influência marcante no estilo e nos frutos de cada agrupamento. Assim a renovação do CNE passa primeiramente pelo perfil humano e cristão e pela adequada formação dos dirigentes. A formação sólida integra concretamente: a formação cristã de base que fundamenta a identidade cristã; a formação especializada em ordem a conhecer por dentro o projeto educativo do Escutismo; e, ainda, a formação permanente que conduz a um aperfeiçoamento contínuo das capacidades educativas. Como orientadores de um movimento católico são chamados a participar ativa e responsavelmente na missão da Igreja e a situar-se na renovação pastoral exigida pela evangelização. Ajudando os membros do CNE a crescer como homens e como filhos de Deus, são eles mesmos estimulados no seu próprio crescimento humano e cristão. A sua ação como dirigentes é uma forma de apostolado dos leigos. Assim se pronuncia a Carta Católica do Escutismo: “Os chefes católicos que assumem esta tarefa educativa colaboram na missão confiada por Cristo à Sua Igreja. Exercem a sua responsabilidade de acordo com o seu Bispo e colaboram com os Assistentes. Esta tarefa dá-lhes um lugar no apostolado dos leigos”(n.º 6). 9.Os Assistentes, Animadores da Educação. Os assistentes desempenham no CNE um papel de primeira importância na medida em que o ministério ordenado é o sinal da comunhão eclesial e o promotor da evangelização. A vida comunitária no agrupamento, a ligação à paróquia, a educação integral dos membros do CNE e a formação adequada dos dirigentes leigos, são alguns dos aspetos que necessitam do apoio e do cuidado pastoral do assistente. A renovação do Escutismo católico, em ordem a responder aos desafios da evangelização, depende, em grande parte, da dedicação e da preparação dos assistentes eclesiásticos, tanto a nível paroquial como diocesano e nacional. Neste momento, os assistentes são chamados a prestar especial atenção ao crescimento da dimensão espiritual, à educação para os valores humanos e cristãos, à renovação e atualização dos rituais para os momentos celebrativos, e a velar, sobretudo, pela formação dos dirigentes, atualizando e acompanhando os cursos destinados a este fim. Esta amplitude das tarefas e responsabilidades dos assistentes reclama, da parte destes, um trabalho em equipa, tanto a nível nacional como a nível regional. Uma equipa central, formada pelo assistente nacional e por todos os assistentes regionais e de núcleo, terá mais possibilidades de definir prioridades, atribuir tarefas e pôr em movimento a renovação permanente do CNE. Seria um empobrecimento grave ver no Escutismo apenas os aspetos exteriores e deixar na sombra os valores humanos e cristãos que constam da sua proposta original e que o tornam uma escola de formação humana e cristã com grande atualidade. De igual modo, importa ter consciência da atual tendência laicista que ameaça desligar o Escutismo da sua matriz cristã e da sua intencionalidade, colocando em risco mesmo os valores humanos tão apreciados no projeto educativo deste movimento. Como procurámos esclarecer oportunamente, verifica-se uma convergência natural entre o ideal escutista e o cristianismo. A fé cristã fortalece o projeto educativo do Escutismo e este favorece a educação da atitude da fé. Recomendamos, por isso, aos dirigentes e assistentes que estejam atentos a este risco e valorizem a raiz e perspetiva cristã do Escutismo como alicerce da educação integral. Conclusão A estreita e íntima ligação entre as catequeses paroquiais e o Escutismo foi-se consolidando em espírito de fecunda colaboração, cada qual mantendo a sua especificidade. Existindo uma dimensão evangelizadora no Escutismo Católico, a sua pedagogia escutista oferece um extraordinário potencial para a descoberta do sentido de Deus e da vivência em Cristo e na sua Igreja. Além disso, o CNE assumiu o seu papel no conjunto da pastoral juvenil da Igreja. Muitos jovens permaneceram com algum vínculo efetivo à Igreja graças ao seu percurso escutista. O Escutismo enriquece a pastoral juvenil com a sua perspetiva dinâmica e criativa assente num método com provas dadas. A inserção eclesial do CNE, consolidada ao longo do tempo no meio das normais vicissitudes e mediante a superação de obstáculos, permitiu que muitos jovens encontrassem, no seio do próprio Movimento, a sua vocação presbiteral, secular ou regular. Além disso, numerosos foram também aqueles que construíram a sua família cristã, com muitos e bons frutos, a partir dos alicerces escutistas.   +Nuno Almeida Bispo de Bragança-Miranda e Presidente da CELF   Fotografia: BLR/SDCS

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