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«Tutti Fratelli» - Artigo de Opinião do Pe. Octávio Sobrinho Alves [1]Seg, 11/01/2021 - 11:28

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Já desde a revolução de 1789 que se fala em fraternidade, alicerçada na igualdade e liberdade. Daí as ciências empíricas e sociais, proporem uma sociedade bem diferente, do absolutismo reinante, uma sociedade totalmente outra, onde os pobres ganharam voz. Abençoada revolução de pensamento! Mas distorcida dos encantos primeiros porque endeusou o homem como centro do mundo e da história. Estava assim criado o antropocentrismo. Expulsou Deus do centro. E deu no que deu… Relativizou-se Deus absolutizou-se o homem. Mas já no século zero do tempo. Jesus de Nazaré, o Messias prometido, ao povo da Aliança, não através de filosofias, muito menos de ideologias, mas com acções concretas e gestos de amor para com os últimos dos últimos mas também com pregação clara e destemida mais forte que as pirâmides de Gizé e mais deslumbrantes que os salgueirais da Babilónia. Gritava: Perante Deus todos somos iguais: não há senhor nem servo nem dono nem escravo. Todos somos filhos, todos somos irmãos. Os autores da revolução oitocentista sintetizaram a sua utopia em 3 palavras apenas; Mas hoje já há gente que quer substituir “fraternidade” por dignidade. É menos comprometedor… pode ficar-se apenas no mundo das palavras… É mais cómodo… Tem menos implicações é que fraternidade supõe ver no outro um irmão igual a mim, que faz parte de mim, que sou responsável por ele, que não o posso deixar para trás, que tenho que escutar os seus anseios, distribuir por ele a parte que lhe pertence da herança deixada da propriedade privada, do salário a que tem direito, de acordo com o seu trabalho e as suas necessidades. A encíclica do Papa Francisco não é apenas retórica, não é catecismo social dos novos tempos. É condição para que o mundo não rebente da tentação de estar sempre no palco em redemoinho espiral. São oito capítulos com 207 números que nos dizem: Não podemos ignorar, não podemos calar a fome do outro a dor do outro a enfermidade do outro. É sobretudo  um grito de justiça e paz arrancado do seu coração de pastor. É Profecia de que é preciso mudar, mudar de ideias e hábitos e comportamentos, a que a pandemia já nos obrigou, mudar de lógica e economia, mudar de política e acção, mudar de mentalidade e oração. Mudar o coração!! Porque todos somos irmãos!   Pe. Sobrinho Alves

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