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Solenidade da Senhora das Graças | Homilia de D. José Cordeiro [1]Qui, 22/08/2019 - 19:18

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Solenidade da Senhora das Graças Catedral, 22.08.2019   Do coração que arde e alumia às mãos cheias de amor e de paz   A celebração da novena e da festa da Senhora das Graças aumenta o nosso olhar para a Virgem Santa Maria como modelo de todos os discípulos missionários do Evangelho da Esperança. Este ano assinalamos ainda a memória dos 450 anos do início do mosteiro de Nossa Senhora da Conceição e depois de Santa Clara, onde há 149 anos se venera a bela imagem da Padroeira da nossa cidade, há 159 anos. A Mãe das Graças conduz-nos à beleza do amor e à vocação-missão do seu próprio Filho. Com esta Mulher admirável experimentamos que «A beleza é o sorriso sacramental de Deus» (S. Weil).   1. Onde amor, aí os olhos Quem ama de verdade procura ver e tem o prazer em olhar e ver e de ser olhado e amado, «onde amor, aí os olhos», como escreveu Ricardo de São Vítor. Na solene celebração da Eucaristia em que participamos, Maria olha-nos nos olhos e abraça-nos, apontando sempre o nosso olhar para Jesus Cristo. Ela existe para mostrar o Coração, ou melhor, para mostrar Deus a todas as gerações. Por isso, ficar só na devoção a Maria é desconhecer e trair a sua missão. Como Ela e com Ela há que passar aos sacramentos, à Palavra de Deus, à Igreja, aos irmãos e experimentar que o amor é mais forte que o pecado. Temos de ter a coragem de tirar a venda dos olhos, para ver com o coração. A devoção mariana é uma característica evidente da fé cristã nas pessoas de Bragança e de todo o Nordeste Transmontano. Recorda-nos o Papa Francisco: «Há um estilo mariano na actividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afecto. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (EG 288). A Virgem Santa Maria é toda vestida de luz, mais brilhante que o sol, e envolve-nos no seu manto de afeto e ternura, como no seio materno. O seu coração é como uma fogueira acesa que arde e alumia, porque revestida da Luz. Se o coração de uma mãe é o seu filho, a sua filha, os seus filhos.  Então, o coração de Maria é Jesus. No coração de Maria, imensamente grande, cabemos todos e cada um de nós na sua singularidade. Esta é a causa da nossa alegria.   2. Com Maria, a Família é “laboratório de humanização” A Bem-aventurada Virgem Maria é Mãe, por vocação-missão para humanizar o seu filho e todos os filhos. A mãe na família tem esta inestimável vocação-missão de humanizar. O pai educa com uma autoridade compassiva. O pacto educativo que existia entre a família, a escola e a sociedade está em crise. Todavia, o Matrimónio e a família são um dom de Deus e, simultaneamente, uma vocação-missão específica do ser humano. «Os esposos cristãos pintam o cinzento do espaço público, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas frágeis, fé luminosa, esperança ativa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneira de tornar o amor de Deus presente na sociedade» (AL 184). Na realidade da vida quotidiana, tudo se relaciona: a vida familiar e o compromisso profissional, o uso das tecnologias e a experiência da comunidade, a defesa do embrião e do migrante, (cf. Sínodo dos Bispos 2018), o cuidado das crianças e dos mais velhos e o acompanhamento dos adolescentes e jovens. De facto, não se pode educar sem a memória dos avós e dos idosos. Na família não pode haver lugar para sentir desgosto e inveja pelo bem do outro e, por isso, é preciso curar o orgulho e cultivar a humildade, servindo os outros de coração: «o meu coração, diz Santo Agostinho, onde eu sou tudo quanto sou». O bem de toda a família e da família toda é decisivo para o bem presente e futuro do mundo e da Igreja.   3. Na Esperança e na Luz Bragança é uma cidade de hospitalidade de acolhimento. A presença de cerca de 3000 alunos do IPB e muitos mais irmãos e irmãs que escolheram Bragança para estudar, trabalhar e viver é, por si mesmo, um desafio permanente para que seja um lugar de esperança e de luz. A cultura do encontro experimenta-se aqui em Bragança com muita expressão da lusofonia e das muitas pessoas, histórias, línguas, fés e culturas do mundo atual, na contínua mobilidade humana, não se tratando apenas da causa dos migrantes. Quando alguns de nós acham aquilo que os outros devem fazer para o bem comum, para a dignidade da pessoa humana na cidade, na sociedade e na Igreja, e até dizem isto ou aquilo, o melhor é dizer a essas pessoas: “começa tu”!... Não basta evita o mal é preciso fazer o bem e bem feito. Não basta conseguir uma “qualidade de vida” e o bem-estar é preciso amar a vida e vivê-la com entusiasmo até ao fim do fim. Em momentos de crise (de fé, de humanidade, dentro e fora da Igreja), a palavra mais usada na nossa gramática, e de ruído mediático é reconfortante sentir que os santuários marianos e as festas marianas e patronais continuam a ser antenas e faróis de esperança, de luz e de paz. Ousamos, com efeito, dizer como S. Paulo VI: «se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e que nos abre o caminho que leva a Ele». Com a Mãe aprendemos a escuta, a caridade, o perdão, a coragem e até a estar, mesmo quando tudo parece desmoronar-se. Ela estava quando faltou o vinho da alegria em Caná, ela estava junto à cruz, «destinada a ser Mãe-Igreja» (Balthasar). Ela está! A Mãe sempre está! E depois dá-se a ver e mostra Jesus, que está sempre connosco. Tudo é graça, até quando nos caluniam e dizem e fazem todo o mal sobre nós, porque Deus nos ama e está connosco no “vale de lágrimas”: «mesmo que eu ande por vales tenebrosos, não temerei mal nenhum. Porque Tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me dão coragem» (Sl 23,4). Com a Mãe das Graças e na companhia de tantos santos e santas (em tão grande número de andores) que representam as comunidades eclesiais das Unidades Pastorais presentes no Município de Bragança, sentimo-nos peregrinos abençoados e motivados no caminho da vida terrena para a vida eterna, que é Cristo vivo, luz da eterna luz. Com a Mãe das Graças, vivamos a fidelidade na caridade, todos os dias, com a atenção aos outros e no dom do encontro e acompanhamento com os outros e aos outros nossos irmãos e irmãs. Com Ela e como Ela vivamos a confiança do amor incondicionado de Deus e sejamos discípulos missionários do coração que ama sem condições. A Ela continuamos a invocar: «esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei».                                                        + José Manuel Cordeiro -------------------------- Fotografias: BLR/SDCS
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