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"O envio missionário nos sacramentos do serviço e da comunhão" [1]Sex, 09/08/2019 - 03:25

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Apresentamos a síntese da conferência que o Sr. D. José Manuel Garcia Cordeiro, Presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, e Bispo da Diocese de Bragança-Miranda, proferiu no passado dia 24.07.2019, no âmbito do 45.º Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica que teve lugar em Fátima. «O ENVIO MISSIONÁRIO NOS SACRAMENTOS DO SERVIÇO E DA COMUNHÃO» Introdução Os sacramentos da Ordem e do Matrimónio são decisivos para a salvação dos outros, contribuindo igualmente para a salvação pessoal. No entanto, estes dois sacramentos conferem uma missão particular na Igreja, ao serviço da edificação e da comunhão do povo de Deus (cf. Catecismo da Igreja Católica 1534). 1. A Ordem A celebração da ordenação decorre durante a celebração da Eucaristia, depois da liturgia da Palavra e antes da liturgia eucarística. A estrutura geral é a mesma para as três ordens (Bispo, Presbíteros e Diáconos) e consta de três partes: a) os ritos de introdução e preparação, b) a imposição das mãos e oração de ordenação, c) os ritos explicativos. 1.1. O Bispo «Enviai agora sobre este eleito a força que de Vós procede, o Espírito soberano, que destes ao Vosso amado Filho Jesus Cristo, e Ele transmitiu aos santos Apóstolos, que fundaram a Igreja por toda a parte, como Vosso templo, para glória e perene louvor do Vosso Nome» (Oração de Ordenação do Bispo). «Recebe o Evangelho, e anuncia a palavra de Deus com toda a paciência e doutrina». O Bispo é, sobretudo, um servidor do Evangelho da Espe- rança, pela palavra, pelo testemunho de vida, pelos sacramen- tos, pelo governo pastoral, que conduzirá a todos à unidade da caridade. 1.2. Os Presbíteros «... renovai em seus corações o Espírito de santidade; obte- nham ó Deus, o segundo grau da Ordem sacerdotal que de Vós procede, e a sua vida seja exemplo para todos» (Oração de Orde- nação dos Presbíteros). O Presbítero é servidor do mistério no seu ministério: «toma consciência do que deves fazer; imita o que hás-de realizar e conforma actua vida com o mistério da cruz do Senhor». 1.3. Os Diáconos «Enviai sobre eles, Senhor, nós Vos pedimos, o Espírito Santo, que os fortaleça com os sete dons da vossa graça, a fim de exerce- rem com fidelidade o seu ministério» (Oração de Ordenação dos Diáconos). «Recebe o Evangelho de Cristo, que tens missão de procla- mar. Crê o que lês, ensina o que crês e vive o que ensinas».   2. O Matrimónio O Matrimónio surge como um grande “mysterion, misté- rio” ou “sacramentum” em relação à união de Cristo com a Igreja: «Por isso, o homem deixará pai e mãe, ligar-se-á à sua mulher e os dois passarão a ser uma só carne. É grande este misté- rio; digo-o em relação a Cristo e à Igreja» (Ef 5, 31-32). Por isso, com a celebração do Matrimónio os esposos participam da aliança esponsal de Cristo com a Igreja.   A celebração do Matrimónio diálogo antes do consentimento sobre a unidade, a liberdade, a fidelidade e a procriação dos filhos; o consentimento e a aceitação pelo assistente; a bênção e entrega das alianças; a oração dos fiéis. Um lugar importante na liturgia do Matrimónio é confe- rido à bênção dos esposos, a seguir à recitação do Pai-Nosso e antes da comunhão. Na verdade, «o matrimónio é, por assim dizer, a gramá- tica com a qual se exprimem o amor e a fidelidade a Deus» (W. Kasper).   Conclusão A relação íntima entre os Sacramentos e a Evangelização é dimensão decisiva do Evangelho celebrado e vivido, que é a própria Liturgia da Igreja. A Palavra e o sacramento tornam-se catequese permanente em dinamismo catecumenal, porque «evangelizar não é para quem quer que seja um acto individual e isolado, mas profundamente eclesial. (...) cada um evangeliza em nome da Igreja, o que ela mesma faz em virtude de um mandato do Senhor...» (S. Paulo VI). Como nos recorda o Papa Francisco: «Assim, a nossa missão radica-se na paternidade de Deus e na maternidade da Igreja, porque é inerente ao Baptismo o envio expresso por Jesus no mandato pascal: como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós, cheios de Espírito Santo para a reconciliação do mundo (cf. Jo 20, 19-23; Mt 28, 16-20)» (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2019). A ordem dos sacramentos segue a analogia das fases e momentos importantes da vida do cristão (S. Tomás): o nasci- mento e o crescimento, a cura e a missão à vida de fé dos cris- tãos. A Liturgia reza ao Pai na epiclese ou invocação do Espírito Santo, presente em todos os sacramentos, para que os torne eficazes, segundo a Palavra de Cristo que se realiza da própria liturgia. Efectivamente, «é Cristo que baptiza, que administra a unção do Espírito, que dá o próprio Corpo e o próprio Sangue; é Cristo que perdoa e cura; é Cristo que ordena nos vários ministé- rios e que consagra a união do Matrimónio» (M. Thurian). A Igreja não evangeliza se não se evangeliza a si mesma. Sem Liturgia não há Missão. ---------------------------------------- Fotografia: Irene Rodrigues/SDCS.
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Ficheiro Comunicação integral de D. José Cordeiro no ENPL [3]123.95 KB

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