[1]Qui, 16/02/2017 - 11:06
No itinerário da Quaresma, Maria é exemplo de escuta da Palavra de Deus em ordem a uma conformação cada vez maior ao mistério da cruz. Ela é a perfeita discípula do Senhor, seguindo-O até à cruz.
No tempo pascal, a Igreja contempla Maria na Ressurreição do Senhor, olhando-a como fonte de luz e de vida. A sua presença no Cenáculo, em perseverança na oração, com os Apóstolos e os discípulos, expressa a sua expectativa pelo dom do Espírito na Igreja nascente.
Maria é o modelo do verdadeiro culto, como reza a Liturgia, num Prefácio da coletânea de Missas da Virgem Santa Maria: «Na vossa infinita bondade, destes à Igreja Virgem e Mãe, como exemplo do verdadeiro culto,
a Virgem Santa Maria. Ela é a Virgem ouvinte,
que escuta com alegria as vossas palavras e as medita no silêncio do seu coração. Ela é a Virgem orante,
que exalta a vossa misericórdia no seu cântico de louvor, intercede com solicitude pelos esposos em Caná
e se associa no Cenáculo à oração dos Apóstolos. Ela é a Virgem fecunda,
que dá à luz o seu Filho pela virtude do Espírito Santo
e, junto à cruz, é proclamada Mãe do povo da nova aliança. Ela é a Virgem oferente,
que Vos apresenta no templo o seu Filho Primogénito
e, junto à árvore da vida, se une à sua oblação redentora. Ela é a Virgem vigilante,
que espera firmemente a ressurreição do seu Filho e aguarda fielmente a descida do Espírito Santo».
1. Este é o tempo da Misericórdia
No encerramento do Ano Jubilar da Misericórdia, o Papa Francisco desafia-nos para o tempo da Misericórdia: «de olhar para diante e compreender como se pode continuar com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina. (...) Somos chamados a fazer crescer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos».
O Santo Padre exorta-nos a viver esta Quaresma-Páscoa como um tempo para «realizar um verdadeiro caminho de conversão, para redescobrir o dom da palavra de Deus, ser purificados do pecado que nos cega e servir Cristo presente nos irmãos necessitados».
2. Lectio divina
Na alegria de evangelizar como Maria, propomos nesta Quaresma, com o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e Vocacional, o seguinte programa, a rezar na igreja do Seminário de S. José, excepto no dia 13 de março, que será na igreja de Santa Maria em Bragança:
06 de Março – «Fazei o que Ele vos disser» (Jo 2, 1-12)
atitudes: escuta/serviço/ação
13 de Março – «Maria disse: “Eis a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua palavra”. E o Anjo retirou-se de junto dela» (Lc 1, 26-38)
atitudes: Diálogo/Vocação/Fé
20 de Março – Magnificat (Lc 1, 46-55)
atitudes: Misericórdia/Generosidade/Caridade
27 de Março – «Filho, porque fizeste isto? Olha que Teu pai e eu andávamos aflitos à Tua procura!» (Lc 2, 41-52)
atitudes: Educação/Respeito/Esperança
03 de Abril – «Maria de pé junto à cruz» (Jo 19, 25-27)
atitudes: Silêncio/Amor/Gratidão
3. Renúncia Quaresmal
Propomos que a Renúncia Quaresmal deste Ano Mariano seja destinada à Cáritas Diocesana para o apoio às Famílias que mais precisam de ajuda nas suas necessidades humanas, económicas, sociais e espirituais. Em 2016, a Cáritas Diocesana respondeu, no gabinete de Apoio Psicossocial, ao pedido de mais de 7.000 situações, correspondentes a mais de 17000 pessoas, de algumas famílias e outros casos individuais da nossa Diocese de Bragança-Miranda.
Das problemáticas mais incidentes verificam-se, sobretudo: desemprego sem subsídio, trabalho precário, baixos salários, rendimento insuficiente face a despesas essenciais, baixa escolaridade, analfabetismo e problemas relacionados com a saúde. Muitas das situações, são os chamados casos de “pobreza envergonhada”, devido ao desemprego e extinção de postos de trabalho. Estas situações têm aumentado de forma significativa.
Torna-se necessário o envolvimento de todos, visto que muitos dos apoios existentes foram extintos, o que dificulta o atendimento a situações, muitas vezes de desespero.
Por isso, e para este fim, a coleta ou ofertório da mesma será realizado em todas as celebrações litúrgicas do Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, ou noutro dia mais indicado, a juízo dos Reverendíssimos Párocos.
4. As 24 Horas para o Senhor
Como já vimos fazendo, agora em cada Arciprestado e Unidade Pastoral, no dia 4 de março será o tempo favorável para a iniciativa das 24 horas para o Senhor. Com efeito, o Tempo da Quaresma é um caminho que os fiéis são chamados a percorrer «ouvindo com mais frequência a palavra de Deus e entregando-se à oração com mais insistência» (Sacrosanctum Concilium 109), para celebrar dignamente a alegria da Páscoa.
Santa Quaresma para uma Páscoa florida, como Maria, Mãe da Luz e da Vida.
Catedral, 12 de fevereiro de 2017, VI Domingo do Tempo Comum.
+ José Manuel Garcia Cordeiro
Bispo de Bragança-Miranda
Ficheiros:
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