Retiro "A Igreja é missão: todos discípulos, todos missionários" | Diocese Bragança-Miranda

No dia 17 de março, decorreu, em Balsamão, o retiro mensal, subordinado ao tema: “A Igreja é missão: todos discípulos, todos missionários”, com a participação de 34 pessoas, e sob a orientação do P. Roberto Carlos Filipe, MIC. Refletiu-se sobre a beleza de ser missionário(a).

Todos nos missionários levamos Jesus na própria história de vida, na experiência que temos de Deus. Os missionários sabem que só Jesus pode realizar mudanças e encher a vida dos outros de alegria.

Podemos perguntar, o que é uma ser missionário(a)? O Evangelho nos responde a esta pergunta na passagem que descreve a jornada de Maria rumo à casa de Isabel. Foram cerca de quatro dias de caminhada, Maria percorre essa distância apressadamente e sem vacilar para levar a Isabel a boa nova. Maria é a primeira missionária da alegria. Isabel por sua vez, é a preceptora dessa boa nova.

Maria chega à casa de Isabel. Nesse encontro revela-se um primeiro sentido dessa viagem/missão: Isabel ouve a saudação de Maria, a criança salta de alegria em seu ventre.  A presença e saudação de Maria inunda de júbilo a casa e as pessoas que nela se encontram.

Levar alegria é o propósito de todo missionário(a). Mas não uma alegria qualquer: é a alegria que vem de introduzir a presença de Jesus na vida de outras pessoas. É significativo que Jesus esteja escondido no ventre de Maria como num tabernáculo e, no entanto, essa aparente ausência de Jesus não impede que aconteça uma revolução de alegria.

Todos nos missionários levamos Jesus na sua própria experiência, na nossa história. Eles sabem que só Jesus pode realizar mudanças e encher a vida dos outros de alegria. Eles não confiam nas suas próprias obras e sim no trabalho misterioso de Cristo através deles. Tal como Isabel vê Maria e não Jesus, também nós vemos os missionários e não Jesus.

Contudo, o protagonista oculto é revelado pelos frutos que os missionários dão: “Isabel, cheia do Espírito Santo, exclama voz alta: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre’. Como pode ser que venha até mim a mãe do meu Senhor? Pois no momento em que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança no meu ventre saltou de alegria. Bendita és tu que acreditou que se cumpriria o que o Senhor te havia dito”.

Partir para outras terras, é transmitir uma mensagem de alegria, coragem e esperança para quem fica e para quem vai. Pois partir é continuar a dizer: “Com Cristo não existem tédio, cansaço e tristeza, porque Ele é a novidade contínua do nosso viver. Ao missionário(a), é necessário a alegria do Evangelho: sem esta, não se faz missão, não se anuncia um Evangelho que atrai.”

            “Não tenham medo de testemunhar Jesus também lá onde resulta incômodo ou pouco conveniente”. Ele saberá encontrar o modo para fazer crescer aquela pequena semente que coloca em nossas mãos para semear. Aos missionários(as), Deus confiou a missão de semear, apenas semear sem esperar pela colheita. (Papa Francisco na mensagem para os missionários).

Conta-se que, certa vez, havia uma missionária leiga de idade madura, que viajava todos os dias de uma cidade para outra, de autocarro, e quando passava por um local feio, cheio de lixo, tirava algumas sementes e as lançava neste lugar. Um homem, ao ver este gesto desta senhora, dizia-lhe: “Não perca o seu tempo com isso, não vai resultar”. A senhora, por sua vez, apenas continuava a fazê-lo. Certo dia a senhora morreu. O tempo passou, até que um dia quele homem, que reclamava da atitude daquela senhora, ouviu uma criança a exclamar: “Veja mamãe, que lindas flores estão ali!”. Então, o homem olhou e reconheceu que ali era o local onde aquela senhora lançara as sementes.

Não desanimemos! Continuemos a semear as sementes que Deus coloca em nossas mãos! Nunca será em vão! Podemos não ver o resultado, mas aos missionários(as) foi-nos dada a missão de semear. Apenas semear.

                                                                                

Pe. Roberto Carlos Felipe, MIC.

Fotografia: Pe. Basileu Pires, MIC.