Primeira Saudação de D. Nuno Almeida à Diocese de Bragança-Miranda | Diocese Bragança-Miranda

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Estou entre vós como quem serve” (Lc 22, 27)

Irmãs e irmãos da Diocese de Bragança-Miranda

O Papa Francisco envia-me para junto de vós como vosso Bispo. Disse sim a este chamamento com confiança e com temor. Com confiança, pois a aceitação desta missão é, antes de tudo, fruto da comunhão com Jesus Cristo e contando sempre com o amor dos irmãos. Com temor, pois estou bem consciente das minhas limitações e das dificuldades da hora presente.

A minha primeira palavra é de saudação. Quero saudar as famílias e as comunidades que, na vasta região do Nordeste Transmontano, louvam o Senhor e procuram viver o Evangelho. Ao saudar-vos repito com os lábios e com o coração as palavras de Cristo: “Estou entre vós como quem serve” (Lc 22, 27) – lema evangélico que escolhi para a minha ordenação presbiteral e episcopal.

Sem esquecer os que mais sofrem e os que vivem momentos mais difíceis, gostaria de enviar a todos uma palavra de alegria e de esperança e a certeza da minha disponibilidade em servir as crianças, os jovens, os adultos, os pais e mães de família e os mais velhos em idade e no caminho percorrido.

Saúdo o Senhor Administrador Diocesano, Mons. Adelino Fernando Paes, que é para todos nós exemplo de dedicação e amor à nossa Diocese. Quero saudar, com um abraço fraterno de comunhão, os sacerdotes e diáconos, bem como os membros das famílias religiosas que, nestas terras do interior, dão testemunho de uma total consagração a Jesus Cristo. Que o testemunho da vossa consagração a Deus, da vossa vida fraterna, do vosso serviço pastoral e da vossa atenção aos mais pobres e vulneráveis seja sal e luz para a comunidade eclesial e para a nossa sociedade.

Desejo saudar com gratidão e estima os leigos e leigas, que, nos serviços diocesanos, nas paróquias e movimentos eclesiais, colocam ao serviço dos outros o próprio tempo e capacidades, na catequese, na liturgia e na caridade. Individualmente ou associados em Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades, que os vossos braços nunca se cansem e o vosso coração continue a abrir-se generosamente à construção de uma Igreja viva animada pelo Espírito do Senhor Ressuscitado.

Saúdo com alegria e esperança os jovens das nossas comunidades, bem como os movimentos juvenis, com especial afeto para os escuteiros pois estão a celebrar cem anos de atividade. Convosco, desejo preparar e participar com entusiasmo na Jornada Mundial da Juventude de Lisboa. Não vos deixeis resignar e não vos canseis de sonhar o sonho de Deus para a nossa Diocese e para o nosso mundo. Deixo também uma palavra de especial estímulo a todos os seminaristas e às jovens e aos jovens que se interrogam sobre uma possível consagração a Deus para o serviço dos outros na vida sacerdotal, religiosa e missionária.

Dirijo uma especial saudação de gratidão aos Senhores D. José Cordeiro pela herança desafiadora que nos lega e a D. António Montes, pastor incansável. A ambos, há muito me ligam laços de sincera e fraterna amizade de que dou graças a Deus.

Um agradecimento muito sincero e sentido à Arquidiocese de Braga, pela hospitalidade e inesquecível colaboração que me concederam nos sete anos de missão, como Bispo Auxiliar. Ao Senhor Arcebispo Emérito, D. Jorge Ortiga; ao Senhor Arcebispo Primaz, D. José Cordeiro e aos irmãos no ministério, D. Francisco Senra e, agora, D. Delfim Gomes; aos caros sacerdotes, aos religiosos e religiosas e a todos os cristãos: Bem hajam! Agradeço a todas as paróquias que me receberam em visita pastoral e aos Movimentos Eclesiais, Obras e Associações de Fiéis com quem trabalhei. Permitam-me, ainda, uma palavra de profundo reconhecimento para com a minha igreja-mãe, a Diocese de Viseu.

Saúdo também com respeito e cordialidade as autoridades civis, académicas e forças de segurança e proteção, em particular aqueles que foram eleitos para servir o bem comum. Tudo farei para que continuemos a desenvolver parcerias em ordem a fazer face aos ingentes desafios do nosso tempo e para abrir novos caminhos para a plena realização das pessoas e da sociedade.

Saúdo, com afeto, a todos os estudantes e trabalhadores, bem como empresários, empreendedores e professores. Procurarei fazer-me próximo de todos os que trabalham e estudam pelas terras transmontanas, ou que tiveram de partir para outras cidades e países.

Quero saudar os membros das diferentes Igrejas Cristãs e os crentes de outras religiões, cujo número tem vindo a aumentar com os fluxos migratórios recentes. Espero que o acolhimento, o respeito e o diálogo possam ajudar a entender o contributo que as nossas tradições religiosas, juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade, podem oferecer à construção da justiça, da paz, da solidariedade entre povos e culturas e da Casa Comum da humanidade.

A nossa Diocese tem uma vasta e rica história. É uma igreja local marcada pela maturidade da fé e pela missão. Agora cabe-nos a nós sermos testemunhas da vida nova que Jesus oferece sempre e a todos. Na sua programática exortação apostólica “A Alegria do Evangelho”, o Papa Francisco vem recordar-nos que a missão da Igreja não é outra senão a de propor a toda a humanidade a alegria do Evangelho, pois “aqueles que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo renasce sem cessar a alegria” (EG 1). É desta vida sempre fecunda que o Bispo deve ser a primeira testemunha. É desta vida nova - o Evangelho - que quero dar testemunho, enquanto Deus me der forças e saúde. Sempre e em toda a parte.

Agradecer ao Papa Francisco a confiança que em mim deposita, significa oferecer, sem reservas, o meu contributo humilde e decidido para que se realizem os seus anseios para este Sínodo: um modo de ser igreja mais feliz, mais comunitário, sinodal e missionário. Estamos já convocados, através do caminho sinodal que estamos a percorrer, para um renovado empenho por comunidades mais fraternas e unidas, mais corresponsáveis e orgânicas, mais abertas e missionárias e a buscarmos sempre juntos (sinodalmente) caminhos pastorais mais fecundos e semeadores de esperança. Somos assim desafiados a contribuir para resolver os enormes problemas que as pessoas e as famílias têm de enfrentar na atualidade, ajudando-as a encontrar um projeto de vida feliz.

Apresento-me a vós como alguém que tem encanto pelo Evangelho como Palavra para viver pessoal e comunitariamente. Sendo frágil e pecador, procuro, em cada dia, afinar o meu pensar, sentir e agir pelo Evangelho. Tendo como alicerce da vida pessoal, familiar e comunitária as palavras do Evangelho, podemos contemplar e amar a Deus Trindade de Amor, adorar e celebrar Jesus Eucaristia e, ao mesmo tempo, caminhar lado a lado com todos como irmãos. Sabemos bem que é a Palavra de Deus que nos dá a consciência de sermos filhos amados de Deus e, por isso, irmãos de todos.

Invoco a proteção e a bênção de S. Bento e da Senhora das Graças. A todos peço oração e que me ajudeis a viver, com entusiasmo, o meu lema episcopal: “Estou entre vós como quem serve” (Lc 22,27). Servir sempre e a todos para que Jesus reine sempre nas comunidades cristãs, nas famílias e, primeiro que tudo, no coração de cada um.

 

A todos abraço,

+ Nuno Almeida

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Fotografia: Fernando Pimparel