Recomeçar juntos em Pentecostes | Catedral, 31 de maio de 2020 | Diocese Bragança-Miranda

Recomeçar juntos em Pentecostes

Aleluia das celebrações litúrgicas comunitárias

Catedral, 31 de maio de 2020

 

1. Aleluia! Aleluia!

A solenidade do Pentecostes conclui os cinquenta dias da Páscoa, nos quais a Igreja vive a alegria da totalidade do mistério pascal de Jesus Cristo: paixão, morte, ressurreição, ascensão e envio do Espírito. O Pentecostes não é, por isso, a festa do Espírito Santo, entendido como a Pessoa divina em si mesma, mas a celebração de um acontecimento de salvação, que consiste sobretudo no dom do Espírito Santo que gera a Nova Aliança na Igreja.

Antes da Eucaristia, cantámos aqui na solene oração de Vésperas: «Hoje completaram-se os dias de Pentecostes. Aleluia. Hoje o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos em línguas de fogo e enriqueceu-os com os seus dons. Enviou-os a pregar por todo o mundo e a dar testemunho: “Quem acreditar e for batizado será salvo”. Aleluia» (ant. Magnificat, Vésperas II).

Toda a assembleia reza e pede que a comunidade seja renovada pelos mesmos prodígios de paz e de perdão da comunidade-mãe e que em toda a terra se derramem os dons do Espírito Santo. No cenáculo acontece a epifania da Igreja nascente com os apóstolos e as apóstolas com a Virgem Santa Maria, a qual, Mãe Igreja, se torna modelo das comunidades sucessivas.

 

2. Minha Bela vem para mim

Como o amado diz no Cântico dos Cânticos, após uma ausência sentido como inverno ou confinamento, também hoje se nos oferece cantar, a beleza do amor e a alegria do reencontro, à Igreja congregada na comunidade, na Catedral e nas igrejas e capelas das Paróquias da Unidades Pastorais dos nossos 4 Arciprestados: «levanta-te minha amada, minha bela vem para mim! Pois o inverno já acabou! a chuva passou de vez! despontam flores na terra, chegou o tempo das canções, ouve-se na nossa terra, a voz da rola. A figueira brota seus frutos e a vinha florida exala perfume. Levanta-se a minha amada, minha bela vem para mim!» (Ct 2, 10-13).

Hoje, esta celebração litúrgica comunitária da Eucaristia, com as portas abertas, tem um sabor e um saber renovados. Reunidos aqui na casa da família de famílias, na Domus Ecclesiae, após um longo jejum eucarístico, embora com a oração, a escuta da Palavra e as boas obras na casa da Igreja doméstica, possamos experimentar juntos a narrativa dos Atos dos Apóstolos: «Todos ficaram cheios do Espírito santo e começaram a falar».

Depois da Cruz a Luz e nova Cruz florida, porque a Cruz abaixa o céu e eleva aterra, unindo os quatro horizontes e cruzando os corações dispersos.

 

3. Recomeçar juntos em Pentecostes

Recomeçar juntos na Esperança, ou melhor, começar de novo juntos, repartindo de Jesus Cristo nos caminhos da vida missionária quotidiana. É enorme a nossa alegria de poder celebrar, efetiva e afetivamente na comunidade, a plenitude da Páscoa no dia do Pentecostes e conclusão do mês de maio com a Mãe, a Senhora das Graças e, na continuidade festiva, amanhã celebramos sob o título de Mãe da Igreja. Com efeito, «A luz ao fundo do túnel existe e está na palavra Nós» (Z. Bauman).

Fazemos memória grata de todos os vivos e de todos os defuntos: «Os vivos fecham os olhos aos mortos e os mortos abrem os olhos aos vivos» (adágio hassídico). E, com as palavras da sequência de hoje, invocamos: «Lavai nossas manchas, a aridez regai, sarai os enfermos e a todos salvai. Abrandai dureza para os caminhantes, animai os tristes, guiai os errantes. Vossos sete dons concedei à alma do que em Vós confia: Virtude na vida, amparo na morte, no Céu alegria».

Hoje, celebraríamos aqui na Catedral, como em cada ano acontece para a Unidade Pastoral Senhora das Graças, a Confirmação ou Crisma de alguns irmãos e irmãs batizados. Atendendo ao duríssimo contexto de pandemia Covid-19, adiamos a celebração para o Domingo, próximo dia 13 de setembro.

Renovamos o nosso mais profundo agradecimento a todos e a cada um, como o fizemos na comunhão crente, orante e confiante durante a dura tribulação nesta pandemia Covid-19. Todavia, cuidado com as estatísticas, importando bem mais cuidar das pessoas.

Aqui e agora renovamos a imensa gratidão à equipa de Liturgia da Catedral no inestimável serviço do Tríduo Pascal, de cada Domingo (Vésperas e Eucaristia), de cada dia do mês de maio no Rosário em família na capela da Pietà. Onde há oração, canto e música há esperança! Jamais nos deixemos enrolar pelo medo!

Como nos desafia um pensador contemporâneo: «sê obsessivamente grato» (E. De Luca). Assim cantamos também hoje no salmo 103. «Grato Lhe seja o meu canto e eu terei alegria no Senhor».

Coragem, Confiança e Gratidão!

 

+ José, Bispo de Bragança-Miranda

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Fotografia: BLR/SDCS.